Fotos: Agência Brasil
O desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região (TRF-4), manteve os áudios dos advogados do
ex-presidente Lula em um processo da Operação Lava Jato, conduzido pelo
juiz Sérgio Moro. Em abril de 2016, o site Conjur noticiou que os
advogados haviam sido grampeados. Na época, o juiz pediu desculpas ao
Supremo Tribunal Federal (STF) e se comprometeu a destruir os áudios,
mas não o fez. No dia 3 de outubro deste ano, ele anexou os arquivos de
áudio a um processo, dando acesso às conversas a todas as partes. Para o
desembargador, os áudios são válidos. Segundo o pedido, o escritório
foi grampeado em 111 mil chamadas, com gravação de 417 horas. Os áudios
contêm conversas dos 25 advogados que trabalhavam no escritório na
época, a maioria deles em processos sem nenhuma relação com a “lava
jato”. De acordo com o site Conjur, Moro só deu explicações ao Supremo
por exigência do ministro Teori Zavascki. A defesa do ex-presidente
reclamou quando viu que os áudios foram distribuídos a todas as partes
do processo e ouviu que as gravações não seriam descartadas. A defesa de
Lula havia pedido ao TRF-4 a destruição dos arquivos, mas para o
desembargador Gebran, a destruição exigiria “análise aprofundada” que
“não se afeiçoa á natureza das decisões liminares”. A Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), à época, pediu anulação das provas e
destruição dos arquivos. A Ordem ainda disse que interceptação correu de
forma “dissimulada”, já que o Ministério Público Federal (MPF) listou o
número do escritório como se fosse da empresa de palestras de Lula e
Moro autorizou a medida.