O presidente da República, Michel Temer, repetiu o ritual e foi a
jantar no apartamento do vice-presidente da Câmara, deputado Fabio
Ramalho (PMDB-MG), na noite anterior à votação da segunda denúncia
criminal contra ele, pauta principal do plenário nesta quarta-feira.
Temer chegou depois das 22h30 ao banquete típico da cozinha mineira no
apartamento funcional do deputado, na Asa Sul de Brasília. O presidente
estava sorridente e acenou ao lado de Ramalho, depois de um dia de
reuniões com parlamentares da base aliada, para tentar os últimos votos
contrários à acusação por organização criminosa e obstrução de
Justiça. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que assim como Temer
foi denunciado na mesma acusação por organização de quadrilha, disse
mais uma vez que a o governo terá um "excelente desempenho" e deve
atingir entre 260 e 270 votos para barrar a denúncia. Ele afirmou que
confia que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), concluirá a
votação nesta quarta. "Sei que há artimanhas regimentais que tenderão a
levar mais adiante", disse Padilha. Segundo Ramalho, mais de cinquenta
deputados já passaram no jantar, além do advogado Gustavo Guedes, que
defendeu Temer em questões eleitorais. Além de Padilha, também estão
presentes os ministros Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Helder
Barbalho (Integração Nacional), Torquato Jardim (Justiça) e Ricardo
Barros (Saúde). Parte deles foi embora em menos de 20 minutos.