O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o doleiro
Lúcio Funaro ficaram frente a frente, hoje, em uma audiência na Justiça
Federal em Brasília para acompanhar, por meio de videoconferência, o
depoimento do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto.
Os três são réus na Operação Sépsis, um desdobramento da Lava Jato,
que investiga um esquema de propinas envolvendo financiamentos do Fundo
de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pelo banco público.
Foi a primeira vez que Cunha e Funaro se encontraram desde que o conteúdo da delação do doleiro foi divulgado pela imprensa.
Ao chegar à sala de audiência, Funaro estendeu a mão para cumprimentar Cunha, mas o ex-presidente da Câmara o ignorou.
O interrogatório de Cleto também foi acompanhado por meio de
videoconferência pelo ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara
Henrique Eduardo Alves, que está preso no Rio Grande do Norte e também é
réu nesse mesmo processo.
Em seu depoimento ao juiz federal Vallisney Souza Oliveira, Fábio
Cleto, que está preso em Campinas e fechou acordo de delação premiada,
confirmou que a sua indicação para a vice-presidência da Caixa foi feita
por Eduardo Cunha e que foi avalizada por Henrique Eduardo Alves.
A informação também foi feita pelo próprio Funaro, nos depoimentos de delação premiada.
"O meu currículo saiu da mão de Lúcio Funaro, que passou para Eduardo
Cunha. Foi entregue, então, ao Henrique Eduardo Alves, que levou ao
[ex-ministro Antonio] Palocci, que levou até o [o ex-ministro Guido]
Mantega", disse.
Em sua delação, Cleto revelou um esquema de desvio de dinheiro do banco e afirmou que Cunha ficava com a maior parte da propina.