Sete dos dez maiores contratos firmados nos últimos oito anos pelo
escritório Ancelmo Advogados, pertencente à esposa do ex-governador do
Rio Sérgio Cabral, preso nesta quinta-feira (18), foram fechados com
empresas que receberem benefícios fiscais do governo no mesmo período.
Segundo informações do jornal O Globo, que teve acesso a todos os
contratos assinados pelo escritório no período, as sete empresas geraram
R$ 27,33 milhões em pagamentos – ao mesmo tempo, as companhias
receberam juntas quase R$ 4 bilhões em isenções. Os investigadores da
Lava Jato apuram a conexão entre os benefícios fiscais concedidos
durante a gestão de Cabral e os contratos com o escritório da
ex-primeira-dama com as empresas. Estão entre as beneficiadas Telemar,
CSN, Light, Reginaves, Metrô, Brasken e Unimed. A força-tarefa aponta
que, apesar de casada com Cabral, Adriana não teve “qualquer dificuldade
ético-profissional” ao ser contratada por empresas que tinham contratos
com o governo fluminense e com concessionárias de serviços públicos.
Dois dos contratos analisados estão relacionados a empresas diretamente
envolvidas em operações suspeitas com o grupo investigado, que de acordo
com o MPF, é liderado por Cabral: o da Reginaves, no valor de R$ 1,1
milhão; e o do Hotel Portobello, de R$ 844 mil. Um dos contratos que se
destacam resultou no pagamento de R$ 13 milhões, em 2015, pela Federação
do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio), comandada por Orlando
Diniz, vizinho de prédio do peemedebista. A federação tem convênios com o
governo. Cabral e Diniz trocaram e-mails em 2014, conforme apontado por
reportagem do jornal Folha de S. Paulo. Em uma das ocasiões, o
ex-governador pediu a Diniz que aumentasse o salário da chefe de cozinha
Ana Rita Menegaz, que dava expediente no Palácio Guanabara e também
trabalhava para o Senac, entidade gerida pela Fecomércio. O pedido foi
atendido. Cabral também pediu a Orlando uma vaga no Departamento de
Marketing do Senac para sua cunhada, Jacqueline Ribeiro Cabral.
“Trata-se da minha cunhada. Publicitária com enorme experiência em
grandes agências de publicidade. Te agradeço”, disse. Outra ligação
entre os dois é a esposa de um dos operadores financeiros do esquema,
Carlos Miranda, funcionária do Sesc (também administrado pela
Fecomércio) entre 2003 e 2013.