Blog do Kennedy
Se
a presidente Dilma Rousseff sobreviver ao impeachment, o ex-presidente
Lula convidará o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles a
assumir o Ministério da Fazenda.
Na
prática, Lula tentará fazer o que Dilma já poderia ter implementado em
dezembro passado, porque Meirelles aceitou a Fazenda quando foi
convidado pelo ex-presidente e pelo então ministro da Casa Civil, Jaques
Wagner. Esse episódio tem importância histórica para explicar as razões
que levaram Dilma a chegar à atual situação, na qual existe risco real
de perder o poder.
Em
dezembro, ainda havia uma expectativa do mercado financeiro e dos
empresários de que um nome como Meirelles pudesse resolver a crise. O
que fez a presidente? Topou e aceitou que Meirelles fosse convidado.
Wagner foi a São Paulo acertar os ponteiros.
Mas,
num arroubo que denota toda a sua genialidade política, desautorizou
Lula e Wagner e colocou Nelson Barbosa no lugar de Joaquim Levy. O
resultado é conhecido: as crises política e econômica só pioraram de lá
para cá.
Há
um consenso hoje no PT e entre os principais ministros de Dilma. Se ela
sobreviver ao impeachment, quem dará as cartas será Lula. O resultado
de cinco anos de decisões tomadas por Dilma pode ser resumido num
palavra: fracasso. Esse episódio ilustra a capacidade de Dilma de
cometer erros e de fazer leituras erradas das possíveis saídas para a
crise. Se o impeachment for rejeitado, teremos na prática um governo
Lula com Dilma em posição figurativa.