Governo chega vivo à reta final; oposição cria fato político
Blog do Kennedy
O
placar de 38 a 27 na comissão especial é um indicador de que será dura a
batalha do impeachment na votação no plenário da Câmara. Não é
recomendável fazer uma projeção para o plenário levando em conta a
proporção do resultado na comissão, porque a negociação por votos será
ainda mais fragmentada.
No
entanto, é inegável que o governo chega vivo à reta final dessa
guerra. Também será um erro subestimar o peso político da vitória da
oposição na comissão. Ela criou um fato favorável à sua estratégia,
aprovando o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO). A possibilidade de
impeachment não está enterrada.
No
final das contas, os dois lados reuniram apoios relevantes. O governo
obteve um voto a menos do que contabilizava. A oposição atingiu a marca
que julgava realista.
Confronto de mapas
Para
o confronto em plenário, o governo estima ter o apoio de 206 ou 207
deputados, incluindo eventuais ausências. É uma margem estreita
A
oposição acredita que tem cerca de 315 parlamentares a favor do
impeachment. Alguns membros dizem que já estão perto de obter 342 votos,
que são os dois terços necessários para autorizar a abertura de
processo de impedimento contra a presidente.
Mas
não há segurança para cravar um resultado porque um grupo de 50 a 60
deputados continua a negociar com os dois lados. E ainda há fatores que
poderão influenciar até o dia da votação, prevista para domingo.
Exemplos: o peso dos atos políticos da cada lado, novos lances da Lava
Jato e equívocos como a divulgação de um áudio no qual Michel Temer
falava como se Dilma já tivesse caído.