sexta-feira, 15 de abril de 2016

Oposição garante 362 votos



Se os números da oposição estiverem certos, a presidente Dilma já pode arrumar as malas e dar adeus ao poder. Na última checagem de ontem do núcleo que coordena o levantamento dos votos Estado por Estado, o impedimento da petista já tem a adesão de 362 parlamentares. O quórum mínimo para aprovação é de 342 votos. Neste caso, são 20 votos a mais do que o exigido.
De acordo com os dados apurados, 128 deputados são contrários e 24 ainda estão indecisos. Tentando não perder o otimismo, o Governo propaga entre aliados ter os votos necessários para barrar o impeachment – 172. Mas o Palácio do Planalto tem números que mostram vantagem para a oposição, mas insiste em não dar o braço a torcer.
Numa forma de conter o desânimo da militância, o Governo intensificou o trabalho no Senado, onde acredita que conseguirá maioria para barrar o impeachment. O Governo, em posição desfavorável, passou a jogar mais pesado, indo para o tudo ou nada. A seu favor, a máquina pública e o Diário Oficial.
Os defensores do impeachment têm promessas de retribuir quem votar a seu favor. Todos os lados estão empenhados em seus respectivos balcões de negócio. Neste quesito, porém, o peso de controlar a máquina não está ajudando muito o Governo. Um relatório da Arko Advice, consultoria de análises políticas, alerta de que Dilma negocia apoio com quem não tem histórico de entregar o que promete.
O caso mais visível e simbólico é o PP. Mesmo pleiteando cargos de peso, como os ministérios da Saúde e da Integração Nacional, além da presidência da Caixa, o PP prometeu mais do que foi capaz de entregar. Nove diretórios estaduais da legenda decidiram apoiar o impeachment, pressionando os deputados a fazê-lo, o que fez o partido debandar do Governo.
A esperança de Dilma de agrupar os partidos pequenos e médios em um grande “Centrão” também pode ser frustrada. A Arko lembra que, nas votações importantes, apenas metade dos deputados do PP, PR e PSD acompanha a orientação do governo. “Vai ser uma vitória acachapante”, comemorava, ontem, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) ao lado de outras lideranças de oposição enquanto juristas afirmavam em ato na Câmara que havia embasamento para o impeachment.
COMO SE DARÁ– Começa hoje, às 8h55m, no plenário da Câmara, a discussão do processo do impeachment. Discursam, inicialmente, os autores do pedido e a defesa de Dilma. Cada um dos 25 partidos também pode se pronunciar. Amanhã, os debates devem continuar e os deputados poderão se manifestar individualmente. No domingo, a sessão é aberta às 14h, e a votação está prevista para começar às 15 horas.
Ferreira pode perder o PR – Voto favorável ao impeachment, o deputado Anderson Ferreira, pré-candidato a prefeito de Jaboatão, corre o risco de perder o comando do diretório republicano no Estado. É que o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, cão de guarda do Governo, determinou que presidente estadual da legenda que votar pelo impeachment será imediatamente destituído. Procurado, Anderson não retornou as ligações.



Haja discussão! – Hoje, no primeiro dia da sessão de votação do impeachment, cada um dos 25 partidos terá uma hora para se manifestar. Os líderes poderão indicar até cinco deputados para falar dentro do tempo determinado. A ordem das falas será da legenda com maior bancada para a menor. Amanhã, será aberta sessão para manifestação individual de deputados – a ordem será por inscrição e cada um terá três minutos para falar. Serão alternados discursos a favor e contra o processo de impeachment. O relator do processo, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), pode falar após cada orador ou optar por se pronunciar ao final de todas as manifestações.
Recorrendo aos ministros– A presidente Dilma Rousseff exonerou ministros do governo que têm mandato na Câmara para reassumirem o cargo de deputados e votarem contra o impeachment. As exonerações estão no Diário Oficial da União. Três dos ministros exonerados são do PMDB: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Marcelo Castro (Saúde) e Mauro Lopes (Aviação Civil). O outro ministro exonerado foi Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), do PT, que se elegeu deputado em 2014. Pansera já havia anunciado que os três ministros do PMDB que são deputados retomariam o mandato para votar a favor de Dilma, mesmo com a saída do partido da base do Governo.
A bancada dos contra o impeachment– Com a decisão do deputado Fernando Monteiro (PP), de mudar o voto e engrossar o cordão dos que querem afastar a presidente Dilma, a bancada de Pernambuco terá agora apenas seis votos contra o impeachment. É bom anotar: Silvio Costa (PTdoB), Wolney Queiroz (PDT), Eduardo da Fonte (PP), Zeca Cavalcanti (PTB), Adalberto Cavalcanti (PTB) e Luciana Santos (PCdoB).

CURTAS 
FECHAMENTO– Na reunião do PMDB, em que 90% dos deputados disseram que votariam pelo impeachment, José Prianti (PA) defendeu uma posição mais firme, com fechamento de questão, mas foi ponderado que isso só poderia ser definido pela Executiva Nacional. "Foram vários discursos pró-impeachment e alguns deputados queriam uma posição mais radical", disse o parlamentar.
MAIS UM VOTO– Depois de um encontro, ontem, com o governador Paulo Câmara (PSB), o secretário estadual de Transportes, Sebastião Oliveira, anunciou que está deixando o cargo por alguns dias para votar a favor do impeachment na sessão do próximo domingo. Ele chega hoje a Brasília.
Perguntar não ofende: Se o Governo tinha tanta segurança que o impeachment não seria aprovado por que então recorreu ao Supremo?