Do UOL
A presidente Dilma Rousseff discursou no fim da tarde desta
segunda-feira. Foi a primeira aparição e afirmações públicas depois de a
Câmara dos Deputados aprovar a admissibilidade do seu processo de
impeachment.
"Eu me sinto injustiçada. Injustiçada porque considero que esse
processo é um processo que não tem base de sustentação. A injustiça
sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa, mas também quando
de uma forma absurda se acusa alguém por algo, primeiro que não é crime,
e segundo acusa e ninguém se refere a qual é o problema. Eu assisti ao
longo da noite de ontem a todas as intervenções, e não vi uma discussão
sobre o crime de responsabilidade que é a única maneira de se julgar um
presidente da República no Brasil", afirmou a presidente, que voltou a
reclamar sobre o que chama de falta de crime de responsabilidade.
"Eu não os fiz ilegalmente, não cometi os atos baseados em
ilegalidade. Tenho certeza que todos sabem que é assim. Além disso, é
muito interessante que contra mim não há acusação de enriquecimento
ilícito. Por isso, me sinto injustiçada, porque aqueles que praticaram
atos ilícitos e têm contas no exterior presidem a sessão e conduzem
sessões importantes como a do impeachment de um presidente da
República", disse, se referindo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ).
No domingo, 367 deputados federais votaram a favor do prosseguimento
do processo de impeachment contra a presidente (eram necessários 342
votos para que o processo de impeachment fosse enviado ao Senado).
Ao longo desta segunda, lideranças do PT e de partidos aliados deram
declarações afirmando que a presidente não estava abatida com o
resultado adverso.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a
presidente estava "otimista" em relação ao andamento do processo no
Senado. "A presidente está otimista. É impressionante como o astral da
presidente está de bom tom, animada e solidária", afirmou Guimarães.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), chegou a dizer que o
governo tem condições de reverter o resultado da Câmara no Senado e
impedir o afastamento de Dilma, mas que o governo pagou pela falta de
diálogo com a base governista.
"É possível se reverter [a decisão pelo impeachment] no Senado. Nesse
primeiro momento, é um pouco mais difícil porque se trata de uma
decisão de uma votação que a maioria simples define a posição do
Senado", disse.
O pedido de impeachment que foi aprovado ontem na Câmara chegou nesta
segunda-feira ao Senado. Só depois de julgado no Senado é que Dilma
poderá ser ou não afastada temporariamente do cargo até que o STF
(Supremo Tribunal Federal) julgue o caso.