O
ministro Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior) admitiu, hoje, a possibilidade de retornar ao mandato de
senador para votar no julgamento do impeachment da presidente Dilma
Rousseff. No entanto, o ministro, que é filiado ao PTB, afirmou que
deverá continuar no desempenho de suas funções no Executivo federal nas
próximas semanas.
“Vou continuar a desempenhar minha função no ministério até quando
esse processo assim determinar. Nesse momento, o governo tem a plenitude
de suas atribuições. A Câmara fez um julgamento de admissibilidade do
processo de impeachment. Esse processo só será instaurado
verdadeiramente quando o Senado Federal confirmar a decisão da Câmara, o
que deverá ocorrer nas próximas semanas. Ou seja, a avaliação é do
Senado, porque é ao Senado que compete fazer esse juízo em última
instância. Até lá, eu estarei desempenhando essas funções, como todo o
governo”, explicou Armando.
O ministro ressaltou que não considera a hipótese de permanecer no
cargo em um evento governo do vice-presidente Michel Temer, já que foi
convidado pela petista para assumir funções no Executivo. “Acho que é
precipitado cogitar formação de ministério antes que o Senado Federal, a
quem compete em caráter exclusivo, promover esse juízo. É uma
especulação que dependerá desse pronunciamento do Senado. Eu não
pretendo considerar essa hipótese, porque fui convidado pela presidente
Dilma. Agora, admitida essa hipótese, que evidentemente precisaria ser
confirmada, a partir dessa situação, eu estaria, imagino, lá no Senado,
porque o povo de Pernambuco me confiou um mandato que vai até janeiro de
2019, e estaria lá servindo ao País”, colocou.
Sobre a votação na Câmara, Armando lembrou que a bancada de deputados
do PTB esteve ao lado da presidente Dilma nos dois mandatos, antes de
adotar uma postura favorável ao impeachment. Apenas seis deputados
rejeitaram o processo. “A bancada do PTB na Câmara esteve até muito
pouco tempo atrás na base do governo, apoiando todas as medidas que
foram propostas. Aqueles que ficaram coerentemente postados e votaram
contra o impeachment, a meu ver se portaram com coerência. Como se pode
imaginar um sistema político em que as pessoas ficam, como ficaram,
vinculadas ao governo, e de repente fazem juízos contra o governo, a meu
ver de maneira absolutamente oportunista?”, indagou.
NOVAS ELEIÇÕES
Sobre a tese da realização de novas eleições, o ministro Armando
Monteiro disse concordar que qualquer solução que não seja a manutenção
do mandato da presidente Dilma sofrerá pela ausência de legitimidade.
Todavia, não vê que uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nesse
sentido possa lograr êxito. “Há manifestações de algumas lideranças
quanto à realização de novas eleições, como a ex-senadora Marina Silva,
que já tem disso há algum tempo. Entendem que qualquer solução que não
seja a continuidade da presidente Dilma, que é detentora de um mandato
eletivo, careceria de legitimidade. Isso vem ganhando apoios a ponto de
alguns senadores apresentarem um PEC nesse sentido ao Senado. A mim
parece que essa proposta, ainda que seja bem intencionada, não
prosperará, porque há um mandato em curso. Não vejo, em termos práticos,
condições de que uma proposta dessas prospere. Minha avaliação é de que
o Senado Federal irá participar do impeachment de modo que respeite um
mandato que foi conquistado pela presidente Dilma nas urnas, pela
vontade de 54 milhões de brasileiros”, colocou.