Folha de S.Paulo - Mariana Haubert e Débora Alves
Um
grupo de seis senadores tenta apresentar nesta semana uma proposta de
emenda à Constituição para viabilizar a realização de eleições diretas
para presidente e vice-presidente em outubro deste ano. A proposta é uma
tentativa de "iniciar um processo para uma saída negociada da crise"
porque, para os parlamentares, o vice-presidente Michel Temer não tem as
condições de reunificar o país em caso de impeachment da presidente
Dilma Rousseff.
"Esse
é um bloco de senadores que não têm conforto nem em uma proposta e nem
em outra. O que queremos é dar uma qualificação e permitir que o eleitor
brasileiro, que a população brasileira possa, mesmo diante de decisões
da Câmara e do Senado, possa escolher quem efetivamente deverá tocar o
país diante da grave crise que estamos vivendo", disse Walter Pinheiro
(ex-PT-BA).
Além
de Pinheiro, o grupo é formado também pelos senadores independentes
João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Cristovam
Buarque (PPS-DF), Lídice da Mata (PSB-BA) e Paulo Paim (PT-RS).
Segundo
os parlamentares, eles começaram a conversar com os demais nesta semana
para angariar o apoio de, pelo menos, 27 senadores que possam endossar a
apresentação da PEC, prevista para ocorrer até quarta-feira (20).
De acordo com os senadores, a intenção do grupo não é tentar barrar a tramitação do processo de impeachment que chegou nesta segunda ao
Senado. "Qualquer que seja a decisão do Senado, o povo brasileiro deve
ser chamado para dizer quem é que ele quer que dirija o destino da
nação", disse Pinheiro.
Questionados
sobre a viabilidade de uma proposta como esta tramitar na Câmara e no
Senado, os parlamentares disseram crer que uma mobilização das ruas pode
impulsionar a proposta no Congresso. "Me parece que está claro um
consenso do que foi visto nas ruas. Muitos dos que apoiam a saída de
Dilma também não veem legitimidade em Michel Temer e Eduardo Cunha. Há
uma rejeição da chapa que venceu as eleições de 2014", disse Randolfe.
A
ideia de antecipar eleições presidenciais tem sido defendida por
setores do governo e do PT que argumentam que o vice-presidente é um
"conspirador" e, se assumir o poder, chefiará um governo sem
legitimidade.