Dois dos réus presos por envolvimento no esquema de "compra" de
medidas provisórias confrontaram o procurador da República Frederico
Paiva ao deixarem sala de audiências na Justiça Federal em Brasília, na
manhã desta segunda-feira (25). Os lobistas Alexandre Paes dos Santos,
conhecido como 'APS', e Mauro Marcondes, presos desde outubro, deixavam a
sala sem qualquer escolta quando se depararam com o procurador, que
conversava com jornalistas. Com semblante fechado, APS encarou o
representante do Ministério Público diretamente e parou para ouvir a
entrevista. Desconfortável ao ver os réus, o procurador comentou: "Vamos
ter plateia?". O lobista perguntou: "A defesa pode dar entrevista?".
"Pode, pode fazer as perguntas", respondeu. O lobista continuou: "Eu só
conhecia o senhor pela denúncia, não sabia quem era o senhor. Só tinha
visto no processo seu nome e nunca tinha visto o senhor". "E gostou?",
rebateu o procurador. "É bom saber quem me acusa, né?", disse APS. Paiva
encerrou o diálogo: "Eu não acuso, eu sou Ministério Público, eu sou um
servidor público. Represento uma instituição." Os dois réus foram
embora juntos, ainda sem a escolta policial. Os réus acompanham os
depoimentos sem uso de algemas, por decisão do juiz Vallisney Oliveira,
que conduz o caso na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. O
magistrado também definiu que não são os agentes penitenciários os
acompanhantes dos presos dentro da sala, o que importaria na escolta de
dois agentes armados para cada preso. No caso, quem faz a segurança da
sala são integrantes da Polícia Federal. Segundo pessoas que trabalham
na Corte, o juiz costuma usar medidas mais rigorosas apenas quando os
réus são acusados de crimes como tráfico e roubo. Outro encontro
inusitado das audiências nesta manhã foi o do procurador com o
ex-ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
Gilberto Carvalho. Sem reconhecer o ex-ministro, que aguardava o momento
de seu depoimento na antessala do juiz, Frederico Paiva questionou: "o
senhor trabalha aqui?". Depois de apresentados, procurador e ex-ministro
se cumprimentaram. A 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília começou a
ouvir nesta manhã o depoimento de testemunhas e informantes em ação
penal sobre a "compra" de medidas provisórias no governo, caso
investigado num desdobramento da Operação Zelotes. Estão previstos os
depoimentos de ao menos 16 pessoas nesta segunda-feira, indicadas pelas
defesas dos réus. Entre os presentes estão o ex-chefe de gabinete do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Gilberto Carvalho e o atual
secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. Os
depoimentos foram suspensos e serão retomados ainda nesta segunda.