A pergunta que mais me fazem nos últimos dias é se Dilma resiste até
dezembro. Respondo que não, a não ser que haja um milagre. Por
impeachment ou renúncia? Com aulas de guerrilha em Cuba, a presidente,
que já participou de assalto a um banco e defendeu a luta armada, não
tem cultura para jogar a toalha.
Sendo assim, cairá pelo impeachment, como Collor. Fanáticos e
delirantes petistas recorrem ao discurso do golpe quando se fala em
cassação do seu mandato pelo Congresso. Alegam que ela não cometeu crime
e que não há provas de envolvimento na roubalheira da Petrobras. Não
há, ainda, uma Elba, a prova do crime contra Collor.
Mas Dilma quebrou o País. O Brasil chegou ao estágio da
ingovernabilidade, sangra feito peru esfolado. Os empregos voam pelas
janelas, a recessão fecha indústrias, a incompetência faz chegar ao
Congresso um orçamento com um rombo de R$ 30 bilhões e com isso o País é
rebaixado internacionalmente.
No desespero, sobrevivendo feito uma barata tonta, Dilma manda ao
Congresso um pacote que desagrada a gregos e troianos, desde os
servidores públicos, que prometem greve por tempo indeterminado até a
fina flor do PIB, que enxerga mais recessão nas medidas. Impeachment se
dá por outros motivos e não apenas pela comprovação de que o acusado
meteu a mão no dinheiro alheio.
Quebrar um País é crime inafiançável, portanto com pena que resulta
na perda de mandato. Quebrar uma potência como a Petrobras, assaltada
por uma quadrilha na qual fez vista grossa e até compactuou com a compra
de uma refinaria falida dos Estados Unidos, é crime de lesa-pátria. O
que o Congresso, que tem as armas nas mãos para livrar o País de uma
tragédia maior, quer mais?
Quanto ao argumento de golpe, que é falso e fantasioso, golpe na
verdade é trair todos os princípios, é rasgar o que prometeu em praça
pública fazendo tudo ao contrário, como o aumento da energia, dos
impostos, dos juros, do gás, dos combustíveis, enfim, de rebaixar o País
perante os credores internacionais.
Golpe é levar milhares de trabalhadores ao desemprego, meter a mão em
direitos sagrados de trabalhadores, cortar programas sociais como o
Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida. Golpe é mentir de forma
escancarada, enganar, camuflar, passar a mão na cabeça de corruptos.
O Brasil cansou de Dilma. Ela não chega até dezembro. Se chegar,
contrariando analistas, juristas e pessoas de bom senso, que querem o
melhor para o País, o Brasil entrará num poço com um fundo tão grande
que não conseguirá mais sair dele. Nossos vizinhos quebrados, como a
Argentina, zombarão de nós e serão vistos como uma potência perante um
Brasil cambaleante.
EQUÍVOCO– Matéria publicada na edição de ontem do
jornal O Estado de São Paulo informa que o Planalto aposta no Senado e
no apoio de seu presidente Renan Calheiros para barrar um eventual
processo de impeachment contra a presidente Dilma. Se tal estratégia
existe é equivocada por desinformação. Isso porque Dilma já será
afastada do cargo, temporariamente, assim que a Câmara autorizar a
abertura do processo pelo Senado, e não ao final do julgamento pelos
senadores.