Durante o dia de ontem, cerca de 300 militares desembarcaram em Salvador. São 135 agentes do Batalhão de Infantaria Paraquedista, 15 militares de Brasília, 150 homens do Exército vindos de Recife. Desde a noite de quinta-feira, quase 3 mil homens foram enviados para reforça a Segurança Pública na Bahia – capital e interior -, incluindo a Força Nacional.
Ontem, na Praça da Piedade, onde uma mulher foi morta na noite de sexta, o cenário estava tranquilo. “Está tudo normal, mas o movimento é fraco. Se não fosse o caso da mulher assassinada, estaria melhor”, opinou o vendedor ambulante Adelson Júnior, que reclamou da periodicidade das rondas. Já o motorista Gilberto Lino, a serviço da concessionária de energia Coelba, avaliou diferente. “Já vi passar caminhão do Exército e motos. Está normal”, disse.Devido à greve da polícia, os agentes da Transalvador anunciaram que os serviços de sábado e de domingo estavam suspensos por conta da falta de segurança.
Tropa de Elite – Por determinação do governo federal, 40 homens do Comando de Operações Táticas também desembarcaram ontem. A chamada “tropa de elite” da Polícia Federal (PF) chegou por volta do meio-dia. Objetivo: executar os mandados de prisão em aberto expedidos contra 11 integrantes do movimento grevista da Polícia Militar. O contingente veio de Brasília numa aeronave própria da PF, que ficará à disposição para remoção dos detidos aos presídios federais. Além desses, outros 15 homens do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal na Bahia darão apoio às operações.
Em cumprimento do primeiro mandado de prisão, o comandante da Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (Coppa), major Nilton Machado, comandou na madrugada de sábado para domingo a prisão de Alvin dos Santos Silva, policial militar lotado na Coppa. Alvin Silva é acusado de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). O detido foi encaminhado para a Polícia do Exército.
Além de responder por esses crimes, Silva vai passar por um processo administrativo na própria corporação. Espécie de líder ou porta-voz dos grevistas concentrados na Assembleia Legislativa, o ex-soldado Marcos Prisco contestou a prisão feita. “Ele nem fez greve. Não esteve aqui em nenhum momento. Foi preso só porque é da Aspra”, disse, em referência à Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares, responsável pela decretação da greve dos Policiais Militares.
