terça-feira, 6 de março de 2018

Dúvida sobre Lula favorece entrada de Boulos na eleição


Fragmentação eleitoral também atinge centro-esquerda

Blog do Kennedy

A fragmentação eleitoral que atinge a centro-direita também produz efeitos no número de candidatos de centro-esquerda e esquerda. No sábado, o PSOL lançou a pré-candidatura presidencial do líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos.
A dúvida em relação à viabilidade jurídica da candidatura de Lula é um estímulo ao nascimento de mais postulações no campo da centro-esquerda e da esquerda.
A candidatura de Boulos representa com mais força as ideias de esquerda com pitadas de centro-esquerda, porque o PSOL vem moderando, bem aos poucos, os seus posicionamentos políticos e econômicos. Boulos será um candidato mais à esquerda do que Manuela D’Ávila, do PC do B, e Ciro Gomes, do PDT.
Boulos teve o apoio de Lula para se lançar candidato. Ele tem sido um fiel defensor do direito de o ex-presidente disputar a eleição presidencial. Tem também participado ativamente de manifestações em defesa de Lula. Ou seja, Boulos ganhou crédito com Lula.
De certa forma e guardadas as diferenças, Boulos lembra o Lula do início de carreira. Tem os pés fincados numa forte base social e está num partido que hoje tem ideias mais radicais do que o PT na política e, sobretudo, na economia.
Vale para Guilherme Boulos o raciocínio sobre a fragmentação eleitoral usado para analisar a pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). Num quadro tão dividido, Boulos e o PSOL não têm nada a perder se tiveram candidatura presidencial própria. Há ainda um fator simbólico interessante, Boulos terá como vice Sônia Guajajara, uma líder indígena. É uma chapa que pode trazer questões sociais e culturais importantes para o debate eleitoral e conquistar simpatia no eleitorado jovem de esquerda e centro-esquerda.