quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Quadrilha ligada a pirâmides é alvo de operação



Portal FolhaPE
 
Uma associação criminosa ligada a três pirâmides financeiras é alvo da operação Necrópole de Gizé, deflagrada na manhã de hoje, pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão domiciliar e um mandado de prisão preventiva contra o idealizador do esquema, Antônio Ferreira de Araújo Júnior, de 41 anos.
Entre o material apreendido e levado para a Delegacia do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, veículos de luxo, relógios e dois apartamentos na avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Esta é a segunda fase da operação, que cumpriu sete mandados de busca e apreensão em novembro de 2017. Na ocasião, por determinação judicial, R$ 1 milhão foram bloqueados em contas bancárias de integrantes do grupo.
O chefe da Polícia Civil, o delegado Joselito Kehrle, detalhou o funcionamento da quadrilha. "Eles criaram uma casa de câmbio chamada Bank Invest e pessoas de classe média alta investiam em dinheiro nacional ou estrangeiro. A rentabilidade, se aplicada em 12 meses sem retirar, era de 188%. Não havia risco da variação do comércio tradicional de câmbio", explicou
O grupo alugou um andar inteiro em um empresarial de Boa Viagem e agia no câmbio forex, o maior mercado de transação de moedas do mundo, que rende US$ 5 trilhões diariamente no mundo e ainda não foi regulamentado pelo Banco Central do Brasil, segundo Joselito.
"Ao alugar os apartamentos, as vítimas confiavam no negócio e investiam. 103 pessoas investiram valores entre R$ 10 mil e R$ 50 mil", disse o delegado. "Antônio dizia que tinha uma sucursal no Reino Unido, onde negociava os valores. Em setembro desse ano, já com um volume bem capitalizado, fechou a empresa e entregou o andar, o que gerou uma reação em cadeia e as denúncias das vítimas", completou.
A quadrilha é suspeita dos crimes de associação criminosa, estelionato, crime contra a economia popular, crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro. Esses esquemas ficaram ativos até setembro de 2016, quando os pagamentos foram suspensos, prejudicando as vítimas, que são de todo o Brasil e inclusive do exterior. No mesmo mês, a polícia identificou a existência de empresas de fachada, sendo uma inclusive para coordenar as fraudes. As investigações, conduzidas pela 6ª Circunscrição do Cordeiro e tiveram a participação de 35 policiais civis.
"Talvez R$ 1 milhão não sejam suficiente para ressarcir as vítimas. Uma empresária que denunciou uma perda de R$ 300 mil foi a primeira a procurar. Eles procuravam a classe média alta porque não sacariam o dinheiro antes do prazo. Entre as vítimas, estão inclusive consultores financeiros e gerentes de bancos", finalizou.