domingo, 3 de setembro de 2017

Nunca quis ser igual ao Moro. Não sou, diz juiz



O juiz federal responsável pelos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro disse que sua forma de atuar é diferente da do juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, que assim como ele é responsável pelos processos da Lava Jato naquele Estado. "Nunca quis ser igual a ele, não sou. Já me foi dito que os estilos são diferentes. Eu não sei se são, mas aceito", disse Bretas em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.
Segundo o magistrado, "a corrupção está na raiz dos mais graves problemas do Brasil e "a Justiça deve à sociedade esse combate à corrupção, que é o serviço de esclarecer, e, se confirmado, punir e recuperar". "O combate à corrupção faz os meus olhos brilharem", afirmou.
Bretas, que foi atacado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes após mandar prender novamente dois empresários do setor de transporte público amigos do ministro e que haviam sido soltos por ordem de Gilmar, disse que o fato o "atingiu um pouco, por conta da minha formação religiosa evangélica".
"Eu sou livre para decidir. Não sou melhor do que ninguém, mas ninguém é melhor do que eu. A sociedade tem o direito de exigir independência funcional e imparcialidade. Sem isso, a decisão de um juiz não tem valor", ressaltou.
Bretas também evitou comentar sobre o envolvimento do PT ou de Lula nos desdobramentos da Operação Lava Jato. "Não conheço os processos, por isso não posso falar. Mas não quero saber de partido. Eu só olho a corrupção. Para mim não é importante saber qual é a orientação do sujeito", assegurou
Bretas, que deverá anunciar ainda neste semestre novas sentenças no âmbito dos processos da Eletronuclear e da Operação Calicute, que tem entre os réus o ex-governador Sério Cabral, diz que o juiz não pode se deixar influenciar por fatores externos. "O nome para mim não tem nenhum significado, e muito menos o partido a que pertence", observou. "A sentença tem que estar baseada em fatos, não pode ter ideologia. O juiz tem que analisar o que tem no processo, sem se deixar influenciar por simples argumentos ou pelo clamor social", afirmou.  (Br247)