A Refinaria Abreu e Lima teve a construção iniciada há mais de 10 anos e ainda não foi concluída (Foto: Wiltin Junior/Estadão)
Projeção
leva em conta não apenas obras de engenharia, como a refinaria de Abreu
e Lima e o Comperj, mas também contratos de fornecimento de
equipamentos e serviços
O Estado de S.Paulo – Alexa Salomão
A
Petrobrás, a partir de auditorias internas, tem uma estimativa
preliminar de que o grupo Odebrecht participou do desvio de
aproximadamente R$ 7 bilhões da estatal. Os valores levam em
consideração não apenas obras de engenharia.
Incluem
todo um passivo que teria sido criado com superfaturamentos aplicados
em contratos de construção de unidades operacionais, de fornecimento de
equipamentos, como sondas, e de prestações de serviços, como exploração
de petróleo, e que ajudaram a cobrir o pagamento de propinas no esquema
de corrupção que envolveu executivos da Petrobrás e políticos.
Segundo
relatou ao Estado uma fonte com trânsito na Petrobrás, o valor não foi
divulgado oficialmente e nem informado à própria Odebrecht porque a
estatal aguarda o resultado das mais de 70 delações de executivos do
grupo Odebrecht. Acredita-se que novos detalhes poderão elevar essa
estimativa inicial e deixar a indenização que a Petrobrás vai pleitear
ainda mais elevada.
A
lista de negócios do grupo Odebrecht com a Petrobrás é extensa. Os mais
lembrados são as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e do
Comperj, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Mas os laços entre o
grupo empresarial e a estatal são muitos e diversos.
Odebrecht
e Petrobrás são sócias na Braskem. A Odebrecht Óleo e Gás conquistou
contratos para perfuração de petróleo. O grupo também participou da
reorganização da indústria naval e tornou-se sócio do estaleiro Enseada
do Paraguaçu, na Bahia que forneceria sondas. A companhia ganhou até
licitação para prestar serviços na área de segurança e meio ambiente em
dez países onde a Petrobrás tem atividades. Em muitos negócios, o
superfaturamento já foi alvo até de questionamentos do Tribunal de
Contas da União.
Estados Unidos.
Segundo o executivo ligado à Petrobrás, além disso, a conta que o grupo
Odebrecht terá de pagar por atos ilícitos em diferentes países pode ser
mais elevada do que se pressupunha. O Departamento de Justiça dos
Estados Unidos avalia cobrar entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões em
multas nos processos em que investiga crimes de corrupção do grupo
Odebrecht em diversos países, como Venezuela, Panamá, El Salvador e
Equador e que tiveram alguma conexão americana.