Versão externa é pedra no sapato de vice; Cunha mancha impeachment
Blog do Kennedy
Enquanto
socorre Michel Temer contra Dilma Rousseff na batalha da versão
histórica sobre o impeachment, o Supremo Tribunal Federal se omite em
relação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O
governo tem claro que está perdida a batalha de curto prazo _a travada
no Senado. Sabe que só um milagre político salvaria o atual mandato de
Dilma.
Nesse
contexto, o governo espera ganhar com a ofensiva externa a disputa pela
fotografia histórica do impeachment. Será importante o tom do discurso
da presidente Dilma Rousseff na reunião da ONU nesta manhã de sexta, bem
como o das entrevistas aos jornalistas estrangeiros ao longo do dia.
Antes das falas, Dilma mediu até que ponto seria mais incisiva numa
manifestação ou noutra.
Para
a presidente, falar insistemente ser vítima de um golpe é uma questão
biográfica. Ela procura mostrar que a punição que está recebendo é
desproporcional aos erros cometidos. Lá na frente, longe do calor dos
acontecimentos e carta fora do baralho do jogo do poder, ela terá
exposto publicamente que resistiu com todas as forças a uma injustiça.
No
médio prazo, há um outro ganho político para o PT e o ex-presidente
Lula ao insistir na tese de golpe político-parlamentar. É uma maneira de
tentar tirar a legitimidade do governo Temer aos olhos da comunidade
internacional, o que tornará mais difícil para o peemedebista
administrar o país. Isso poderia criar um ambiente interno mais
favorável à tese de nova eleição presidencial neste ano. Também
facilitaria planos futuros políticos e eleitorais do PT e de Lula.
Uma
reprovação internacional ao impeachment teria efeitos domésticos
negativos logo na largada do eventual governo Temer. Contribui para
dificultar a formação da equipe. Alguns nomes têm dito não a sondagens
com medo de um fracasso do peemedebista.
Como
é tradição, o PSDB está em cima do muro. Ou seja, os tucanos foram
fundamentais para derrubar Dilma, mas não querem abraçar completamente o
novo governo com medo dos efeitos eleitorais no futuro.
Se
Temer não trouxer estabilidade a partir de meados de maio e isso se
confirmar em junho e julho, a tese de nova eleição presidencial poderia
ser um pedra no sapato do virtual presidente.