sábado, 23 de abril de 2016

STF socorre Temer, mas se omite sobre Cunha




Versão externa é pedra no sapato de vice; Cunha mancha impeachment
Blog do Kennedy
Enquanto socorre Michel Temer contra Dilma Rousseff na batalha da versão histórica sobre o impeachment, o Supremo Tribunal Federal se omite em relação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O governo tem claro que está perdida a batalha de curto prazo _a travada no Senado. Sabe que só um milagre político salvaria o atual mandato de Dilma.
Nesse contexto, o governo espera ganhar com a ofensiva externa a disputa pela fotografia histórica do impeachment. Será importante o tom do discurso da presidente Dilma Rousseff na reunião da ONU nesta manhã de sexta, bem como o das entrevistas aos jornalistas estrangeiros ao longo do dia. Antes das falas, Dilma mediu até que ponto seria mais incisiva numa manifestação ou noutra.
Para a presidente, falar insistemente ser vítima de um golpe é uma questão biográfica. Ela procura mostrar que a punição que está recebendo é desproporcional aos erros cometidos. Lá na frente, longe do calor dos acontecimentos e carta fora do baralho do jogo do poder, ela terá exposto publicamente que resistiu com todas as forças a uma injustiça.
No médio prazo, há um outro ganho político para o PT e o ex-presidente Lula ao insistir na tese de golpe político-parlamentar. É uma maneira de tentar tirar a legitimidade do governo Temer aos olhos da comunidade internacional, o que tornará mais difícil para o peemedebista administrar o país. Isso poderia criar um ambiente interno mais favorável à tese de nova eleição presidencial neste ano. Também facilitaria planos futuros políticos e eleitorais do PT e de Lula.
Uma reprovação internacional ao impeachment teria efeitos domésticos negativos logo na largada do eventual governo Temer. Contribui para dificultar a formação da equipe. Alguns nomes têm dito não a sondagens com medo de um fracasso do peemedebista.
Como é tradição, o PSDB está em cima do muro. Ou seja, os tucanos foram fundamentais para derrubar Dilma, mas não querem abraçar completamente o novo governo com medo dos efeitos eleitorais no futuro.
Se Temer não trouxer estabilidade a partir de meados de maio e isso se confirmar em junho e julho, a tese de nova eleição presidencial poderia ser um pedra no sapato do virtual presidente.