sábado, 23 de abril de 2016

Presidente versus vice



Em resposta a Dilma, Temer rebateu a tese de golpe em entrevistas à imprensa internacional. Também tem tido ajuda da maioria do ministros do STF, sobretudo da fala assertiva do ministro Celso de Mello contra Dilma.
Essas iniciativas podem ter efeito internacional positivo para confrontar a ofensiva externa do governo. Elas dão argumento aos que defendem os aspectos legais do atual processo de impeachment.
Mas há falhas do Supremo nessa caminhada. A maior delas foi ter evitado se pronunciar sobre a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara. Assim, permitiu que um político que responde a graves acusações de corrupção tenha sido o condutor e o principal juiz de uma votação que aprovou na Câmara o pedido de impeachment contra uma presidente sobre a qual não há, por ora, investigação.
De fato, a agenda do Supremo é muito complicada, mas, diante da gravidade da crise, o tribunal encontrou tempo para discutir a ordem de votação das bancadas dos Estados, um assunto do regimento interno da Câmara, e não fez um exame sobre o pedido do Ministério Público para afastar Cunha da presidência e do mandato de deputado federal.
Mesmo que a decisão fosse manter o peemedebista nesses cargos, seria importante que já tivesse sido tomada. Para a História, isso poderá ficar marcado como uma omissão do Supremo. A participação de Cunha no impeachment será registrada uma mancha. (Blog do Kennedy)