O ministro do Gabinete Pessoal da Presidência República, Jaques
Wagner, afirmou ontem (06), que o processo de impeachment da presidente
Dilma Rousseff “caiu por terra”. O ministro fez as declarações ao
comentar sobre a tese de convocação de novas eleições, após participar
da entrega do navio Doca Multipropósito Bahia, em Salvador, evento que
contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, que não falou com a
imprensa.
“Olho a proposta mais como uma tentativa daqueles que querem uma
repactuação nacional, que definitivamente este processo (de impeachment)
caiu por terra, não representa a legalidade. Ele na verdade aprofunda a
crise”, avaliou. Ainda sobre o impedimento, Wagner disse que a intenção
do governo no momento é “ultrapassá-lo”. “Nosso trabalho é ultrapassar
este processo, que na minha opinião já está com uma consistência
grande”, afirmou.
O ministro acrescentou que a decisão do ministro do Supremo Tribunal
Federal Marco Aurélio Mello mostra que o processo de impeachment da
presidente “está fragilizando a democracia brasileira”. Marco Aurélio
concedeu liminar determinando que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) acate também o pedido de impeachment do vice-presidente Michel
Temer (PMDB-SP), com o argumento de que ele deveria se ater aos
aspectos formais e não sobre o mérito.
“Foi uma decisão de ministro e, como se diz, decisão de ministro do
Supremo a gente deve cumprir até o recurso”, disse Wagner. “Isso só
mostra que o pedido de impeachment está fragilizando a democracia
brasileira. Essa insistência das oposições de, há 15 meses, procurar
coisa para impeachment sem causa é muito ruim”, completou.
Com relação à tese de eleições gerais, o ministro a classificou como
“uma coisa menos agressiva” que um impeachment, mas a iniciativa teria
que partir da própria presidente da República. “É uma coisa bem menos
agressiva, mas a mim parece que tem que partir dela. E não estamos nem
cogitando. Quem tem que topar é a presidente, porque o mandato de quatro
anos que foi conferido a ela é dela”, rebateu. As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.