Folha de S.Paulo – Mariana Haubert e Gabriel Mascarenhas
Mais
da metade dos partidos já fez uso da tribuna da Câmara durante as
primeiras 22 horas de discussão do processo de impeachment da presidente
Dilma Rousseff.
Apresentaram
seus posicionamentos os quadros de PMDB, PT, PSDB, PP, PR, PSD, PSB,
DEM, PRB, PTB, PDT, SD, PTN, PCdoB e PSC. A sessão começou às 8h55 de
sexta-feira e avançou noite adento.
O plenário ficou praticamente vazio durante a madrugada de sábado. Por volta das 4h, apenas 22 dos cerca de 513 congressistas da Casa estavam presentes.
O plenário ficou praticamente vazio durante a madrugada de sábado. Por volta das 4h, apenas 22 dos cerca de 513 congressistas da Casa estavam presentes.
Os
parlamentares se revezavam ao microfone, conforme a vez de seus
partidos, e na maior parte dos casos discursavam somente para
correligionários. Após uma pausa de 15 minutos, uma nova sessão foi
reaberta às 5 horas.
Das
15 siglas que usaram a tribuna até às 6h50 do deste sábado, somente
PDT, PCdoB e parte do PTN, além do PT, saíram em defesa do governo.
O
líder da bancada pedetista, Afonso Motta (RS), lembrou que boa parte
das legendas hora favoráveis ao impeachment da presidente Dilma fizeram
parte de base aliada "até ontem".
"Eles
participavam efetivamente do governo. Só com a ocupação de ministérios?
Não. Atuavam diretamente, direcionando as políticas públicas. Dizer
agora que não tinham participação é uma falácia. Algo que não cabe
dentro do bom debate", disse.
Contrários
à permanência de Dilma no Palácio do Planalto, alguns deputados
apelaram a que vão além da acusação de crime de responsabilidade da qual
a petista é alvo.
"O
primeiro instrumento para melhorar o nosso país é Jesus, para nos
iluminar. O segundo são a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e
o Supremo Tribunal Federal", afirmou o Mauro Pereira (PMDB-RS).
O
peemedebista se dirigiu também ao MST. "Vocês não são tão machos, tão
valentes assim. O povo brasileiro é mais valente do que essa cambadinha
que anda roubando e usando o dinheiro público para fazer badernas",
completou Pereira.
Já
seu correligionário, deputado Carlos Marun (MS), aliado do presidente
da Câmara, Eduardo Cunha, minimizou a reação do governo na conquista de
votos.
"O
tiro de canhão é uma bala de festim. Atrás dessa fumaça não há fogo.
Isso é como cabela de freira, muita gente acha que existe mas ninguém
vê", disse.
Wladimir
Costa (SDD-PA) criticou os colegas que se dizem indecisos e disse, em
seu discurso, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um
"ministro clandestino".
"Quem
não comparecer à sessão de domingo pode ser um frequentador assíduo do
pseudo-ministério que funciona em um hotel de luxo, e na cadeira desse
pseudo-ministério está sentado um ministro clandestino", disse.
O
parlamentar também chamou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) de "ladra"
e o ex-ministro Paulo Bernardo (PT) de "vagabundo da pior espécie".
"Esta
quadrilha, comandada pelo El Papa, de nome Lula, e capitaneada pela
capitã-tenente Dilma Rousseff, é pior do que Pablo Escobar Gaviria, El
Chapo, Marcola do PCC, Fernandinho Beira-Mar, e até pior do que Al
Capone", comparou.