O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que
o caminho para o PT é “deslegitimar” o vice-presidente Michel Temer.
Lula participa, na sede do PT em São Paulo, da reunião do diretório
nacional do partido. No encontro, os petistas discutem estratégias a
serem adotadas pela legenda após a aprovação do impeachment da
presidente Dilma Rousseff na Câmara.
Segundo pessoas que acompanharam a reunião, o ex-presidente insistiu
que o caminho do partido, agora, é “deslegitimar o Temer”. A reunião foi
interrompida para o almoço e será retomada à tarde. Lula almoçou ao
lado do presidente do PT, Rui Falcão, no interior da sede do partido, e
foi embora da reunião logo depois.
De acordo com dirigentes petistas, Lula disse ainda que a estratégia
de lutar por novas eleições não deve ser adotada pelo PT pelo menos por
enquanto, pois “dependeria de Dilma”.
“Ele disse para não nos apegarmos a isso (de novas eleições) por enquanto”, disse um dirigente petista, na pausa do almoço.
Lula chegou às 10h56 min ao encontro. Na noite de segunda-feira, Lula
se reuniu em seu instituto com Rui Falcão, com o prefeito de São Paulo,
Fernando Haddad, e representantes de movimentos sociais, como Gilmar
Mauro, do MST, Guilherme Boulos, do MTST, para debater como manter as
mobilizações de rua contra o afastamento da presidente.
Apesar da defesa feita por figuras do partido, o PT descartou, em
reunião de sua Executiva na segunda-feira, assumir neste momento a
bandeira da antecipação das eleições presidenciais. O tema foi debatido
no encontro realizado em São Paulo, mas a conclusão dos dirigentes foi
que adotar essa estratégia agora significaria jogar a toalha na batalha
para evitar no Senado a consolidação do impeachment de Dilma. A ordem
interna é lutar até o fim.
Na reunião desta terça-feira, o diretório nacional deve aprovar uma
resolução em que constará a defesa de uma reorganização do governo
federal diante da aprovação do do impeachment na Câmara. Alguns
dirigentes defendem que Dilma nomeie um ministério com "notáveis" nos
postos que eram ocupados por ministros de partidos que votaram
majoritariamente a favor do afastamento.
Na resolução que será divulgada após o encontro desta terça-feira do
diretório nacional, devem constar também um chamamento pelo
prosseguimento das mobilizações de rua e uma saudação aos movimentos
sociais e aos partidos aliados que se posicionaram contra o impeachment
na Câmara (PCdoB, PSOL e PDT).