Folha de S.Paulo – Gabriel Mascarenhas
As
horas que antecederam a votação do impeachment da presidente Dilma
Rousseff ficarão marcadas pelo acirramento dos discurso na tribuna e por
discussões e troca de agressões entre deputados no plenário.
Durante
a madrugada deste domingo, em duas ocasiões a bancada do deixa disso
evitou que parlamentares da base aliada e da oposição abandonassem a
batalha verbal rumo às vias de fato.
Vitor
Valim (PSDB-CE) e Sibá Machado (PT-AC) protagonizaram o momento mais
tenso, por volta de 1h. Em seu pronunciamento, o tucano chamou os
petistas de "bandidos".
Sibá
o esperou descer da tribuna para tomar satisfações. Valim não gostou da
abordagem e empurrou o colega, dando início à confusão. Outros
parlamentares intervieram e seguraram o tucano para impedir o
agravamento do embate.
"O
Sibá bateu no meu peito e disse que, se eu continuasse no plenário,
iria me pegar. Vai fazer o que comigo? Um bandido desse, de um partido
desse ainda vem ameaçar os outros? Eu o empurrei, respondi à altura",
afirmou Valim.
O
petista confirmou ter ido ao encontro de tucano, em suas palavras, para
avisá-lo de que iria "lhe dar um pau", quando pegasse o microfone.
"Eu
perguntei: 'Você vai estar aqui quando eu falar? Vou rebater, vou lhe
dar um pau. O que isso, o cara nos chamar de safados, bandidos, de
tudo?", justificou Sibá Machado.
PSOL X PSDB
Duas
horas antes, foi a vez de Glauber Braga (PSOL-RJ) ser contido por
colegas e pela Polícia Legislativa durante bate-boca com o deputado
Rocha (PSDB-AC).
Braga também havia acabado de discursar, quando pediu respeito a Rocha e criticou os que tentaram interrompê-lo.
Com
o plenário dividido, Braga passou a acompanhar os pronunciamentos na
área em que está concentrada a oposição. Um dos parlamentares
anti-governo disse que ele deveria se juntar ao grupo contrário ao
impeachment.
Irritado,
Glauber Braga partiu em direção a Rocha: "Eu vou permanecer onde bem
entender. Alguém vai me tirar daqui? Não vai", afirmou.
Um
policial legislativo se posicionou entre os dois. Outros deputados,
principalmente da oposição, seguraram o parlamentar do PSOL, até que ele
se acalmasse e saísse do plenário.
Depois
do ocorrido, Braga deu sua versão da confusão: "Eu fui falar com eles
com polidez e educação, e eles se juntaram para tentarem me tirar dali",
contou.
Já
Rocha argumentou que a batalha ocorrerá no domingo, quando a Câmara
decidirá se afasta ou não Dilma da presidência. "Não tem porrada, não.
Aqui é no voto que nós vamos ganhar", provocou o tucano.