Do G1
Manifestantes pró e contra impeachment ocuparam a Esplanada dos
Ministérios neste domingo, faltando poucas horas para o início da
análise do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no
plenário da Câmara dos Deputados. Por volta de 13h, a Secretaria de
Segurança Pública estimou a presença de 3,6 mil pessoas a favor do
afastamento a petista. De acordo com a pasta, havia pouco movimento do
grupo antagônico. Os movimentos são separados por um muro, que tem 80
metros de largura e um quilômetro de extensão.
Com a divisão, que começa na Rodoviária do Plano Piloto, os
manifestantes pró-impeachment ficaram concentrados nas proximidades do
Museu Nacional da República. Do mesmo lado ficam a Catedral
Metropolitana, o Ministério da Saúde e o Palácio do Itamaraty. Os grupos
contrários ao impeachment têm como área reservada os arredores do
Teatro Nacional Cláudio Santoro, podendo circular perto dos ministérios
da Defesa e Planejamento, além do Palácio da Justiça.
A corporação também apreendeu nas proximidades uma mochila com uma
suposta bomba caseira. O capitão Michello Bueno afirmou que são feitas
varreduras constantemente dos dois lados. O Batalhão de Cães tem
participado das atividades.
Um ponto de "pit stop" para água foi instalado em frente ao
Ministério do Turismo por grupos que apoiam o governo da presidente
Dilma Rousseff. São pelo menos 30 galões disponíveis para os
manifestantes do lado pró-governo.
Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ligado ao
PT deixou o estado às 14h30 de sábado, de ônibus, e chegou ao DF às 5h. O
estudante de gestão de políticas públicas Otávio Caiuby disse que fez
questão de estar em Brasília para pressionar deputados indecisos. "Meus
pais são contra o governo Dilma, mas entenderam que eu tinha de vir e
respeitaram."
Grupos contra o impeachment da presidente Dilma instalaram telões na
Esplanada para que o público possa acompanhar a votação na Câmara,
prevista para começar às 14h. No lado dos defensores do governo, o GDF
autorizou a instalação de equipamentos nos ministérios da Fazenda,
Defesa, Minas e Energia/Turismo e Comunicação/Transportes. Do lado
pró-impeachment, dois telões foram instalados.
Integrantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) distribuem
bandeiras, camisas e chapéus para manifestantes pró impeachment. Eles
também se manifestavam contra a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.
O efetivo na região contava com mil policiais militares por volta das
12h. As delegacias da área central e do Departamento de Polícia
Especializada foram reforçadas. O Detran mantém as vias S2 e N2 abertas
para chegada dos manifestantes e servidores do Congresso Nacional. Um
total de 60 agentes e 30 viaturas supervisionam as pistas.
Por causa da votação do impeachment, pontos turísticos estão com as
visitas suspensas nos próximos dias. O Congresso Nacional segue fechado
para o público externo até quinta-feira (21). A Catedral Metropolitana
está aberta apenas para as missas. O Palácio do Planalto só funcionará
neste domingo para atividades administrativas (veja lista).
O processo de análise do afastamento da presidente Dilma Rousseff
também vai alterar o funcionamento de lojas. A orientação do Sindicato
do Comércio Varejista é para que os shoppings da região central da
cidade não funcionem. O transporte público também registra alterações: o
Metrô não vai funcionar durante o dia.