É
improvável, mas Dilma Rousseff pode até sobreviver ao voto deste
domingo (17) na Câmara. Ninguém, contudo, crê na subsistência de seu
ex-governo.
Lula
anunciou que assumiria na prática em caso de vitória, enquanto a
presidente fugia de um estapafúrdio pronunciamento de TV e bolava a
próxima judicialização do inevitável. Na prática, já vivemos o
pós-Dilma.
Há
muita gente com boas intenções que denega as pedaladas como motivo de
impedimento. Fosse o processo de degola um juízo penal, a dosimetria da
pena talvez não entregasse a cabeça da soberana; as mãos bastariam,
digamos.
Mas
impeachment é julgamento político embasado por uma lei segundo a qual
quase qualquer coisa é motivo de deposição; essas são as regras hoje.
Dilma só chegou onde está por encabeçar um governo nulo e uma recessão.
Fim de caso.
Outro
ponto dos adversários do impeachment é o ético. Argumenta-se que
Eduardo Cunha é o anticristo, que as hienas famintas do PMDB e dos PPs
da vida irão refestelar-se e que a Lava Jato morrerá.
O
mérito sobre os atores está correto, isso é óbvio. Mas era diferente
com o PT e esses mesmíssimos aliados? Mensalão e petrolão, sofisticações
agigantadas de esquemas atávicos de corrupção, são invenções exógenas? A
lógica do "todos são iguais" legitima Dilma na cadeira?
Mais:
a Lava Jato já está sob ameaça, e pelo governo, mas sobrevive e
trabalha numa rodada fatal de delações. É um trem sem freios que Temer
não teria como parar, se quisesse, isso se não acabar atropelado por
ele.
Se
assumir, o vice terá de usar a janela que ele mesmo citou, de três ou
quatro meses, para viabilizar-se. Como isso implica melhoria de
expectativas econômicas, ajuste, manutenção de apoio entre carniceiros,
acenos ao social, liberdade para a Lava Jato e suportar Lula e o PT,
falamos de um cenário quase intangível.
Ruim, sim. A alternativa é melhor?