Ao trocar ministro, Dilma pode jogar por terra o discurso de que PF trabalha sem influência política
Do El País - Afonso Benites
Sai
um homem de confiança de Dilma Rousseff (PT) e entra uma pessoa “fora
do circuito”. Assim pode ser definida a troca de José Eduardo Cardozo
por Wellington César Lima e Silva no Ministério da Justiça. Desconhecido
nacionalmente, e pela própria presidenta, Lima teve o apoio do ministro
da Casa Civil, Jaques Wagner, para chegar à função. O futuro ministro
foi procurador-geral de Justiça na Bahia por quatro anos (2010-2014) e
ocupou o cargo nomeado por Wagner, que era o governador baiano nesse
período.
Ex-professor
de direito penal e mestre em Ciências Criminais, Lima é um dos
principais defensores em seu Estado da integração entre as Polícias
Civil e Militar com o Ministério Público. É visto também como um
defensor de direitos humanos e como alguém com profundo conhecimento
jurídico e bom trânsito no meio Judiciário. Sua chegada para preencher o
lugar deixado por Cardozo levanta dúvidas, contudo, sobre os rumos que a
Operação Lava Jato pode tomar, já que a troca teve como pivô exatamente
os danos que as investigações estariam causando à imagem do PT.
Em
uma primeira análise, faltaria a Lima a bagagem política exigida por um
cargo dessa estatura. Das três eleições que disputou, perdeu duas.
Todas elas envolviam apenas membros do Ministério Público. Quando
concorreu em 2010 ao cargo de procurador-geral da Bahia, ficou em
terceiro lugar na lista tríplice na qual só votavam procuradores e
promotores. Mesmo assim, foi escolhido pelo governador. Quando foi
reconduzido ao cargo, em 2012, ficou na primeira posição. A outra
derrota aconteceu quando concorreu ao cargo de presidente do Conselho
Nacional dos Procuradores-Gerais, entidade que reúne os 27
representantes das Unidades da Federação e os representantes do
Ministério Público Federal, Militar e do Trabalho.