As afirmações do senador Delcídio Amaral (PT-MS) na delação premiada à
Justiça tem clara motivação de vingança. A afirmação é do ex-ministro
da Justiça José Eduardo Cardozo, em entrevista coletiva hoje. Cardozo
assumiu a Advocacia Geral da União (AGU).
Cardozo saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff e do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmando que nem ele nem a
presidente tiveram qualquer influência na condução das investigações da
Operação Lava Jato. "É um absurdo imaginar que eu ou a presidente
pudéssemos ter qualquer influência nas decisões da Suprema Corte ou que
os arriscássemos a interferir em qualquer investigação."
Na manhã desta quinta-feira, a revista "IstoÉ" publicou reportagem em
que revela trechos de delação premiada do senador Delcídio Amaral, que
foi preso preventivamente por tentar obstruir investigações da operação.
A delação ainda precisa ser homologada pelo STF (Superior Tribunal
Federal).
Segundo a revista, Delcídio teria dito em delação premiada que a
presidente Dilma Rousseff tentou atuar ao menos três vezes para
interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário.
Na delação, Delcídio teria citado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e detalhado os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela
Petrobras.
Cardozo disse que Delcídio está "inconformado" supostamente pelo fato
de o governo não ter agido para tirá-lo da prisão (ele ficou 87 dias
detido, dentro das investigações da Lava Jato. "É vingança", disse nesta
tarde, em pronunciamento.
Uma das denúncias feitas por Delcídio foi a de que o governo tentou
intervir nos rumos da Lava Jato tentando fazer nomeações. "Os senhores e
as senhoras acreditam que a presidente e o ministro da Justiça tentaria
influenciar nos rumos da Lava Jato?", questionou.
