Investigação de Moro reacende tese de doação ilegal a campanha
Ao
virar alvo da 23ª fase da Operação Lava Jato, o marqueteiro João
Santana leva a presidente Dilma Rousseff para o centro das
investigações. O Palácio do Planalto até hoje sempre achou que o PT e o
ex-presidente Lula seriam os alvos principais da Lava Jato e que a
presidente seria preservada.
A
fase de hoje, a Acarajé, deixa claro que a presidente Dilma também é
alvo, porque está sendo ressuscitada a suspeita de que as suas campanhas
podem ter recebido recursos ilegais. A presidente e seus auxiliares
sempre negaram o recebimento de recursos ilegais nas campanhas de 2010 e
2014, seja propina, seja caixa 2.
Mas
a entrada em cena de João Santana na Acarajé se deve à suspeita dos
investigadores da Lava Jato de que o marqueteiro teria recebido
pagamento da Odebrecht no exterior a fim de quitar compromissos de
campanha. Ou seja, teria havido uma doação ilegal feita no exterior para
a campanha de Dilma.
Essa
é a principal tese dos investigadores nesta nova fase da Lava Jato. É
uma tese grave. Se comprovada, poderá fortalecer a possibilidade de
impeachment ou de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal
Superior Eleitoral).
Claro
que se trata de um caminho tortuoso. Como Santana não tem foro
privilegiado, o juiz Sérgio Moro pode investigar o marqueteiro da
presidente. Moro não pode investigar Dilma, mas pode compartilhar provas
com o TSE, o STF (Supremo Tribunal Federal) e a Procuradoria Geral da
República (PGR) se obtiver algo consistente. Dilma só pode ser
investigada nos âmbitos da PGR e do STF.
Mas
Moro faz uma investigação indireta sobre a presidente porque João
Santana realizou as campanhas dilmistas à Presidência e é o principal
marqueteiro do governo. Ele gravou o último pronunciamento oficial de
Dilma, sobre o zika vírus, que foi feito no início deste mês. Faz
reuniões frequentes com a presidente. É alguém que participa da
intimidade política de Dilma e do PT.
Outro
efeito é enfraquecer politicamente o governo numa hora em que há
anúncio de medidas econômicas que dependem de negociação com o
Congresso. A Lava Jato introduz ainda mais dificuldades políticas a um
governo que já teria problemas suficientes sem essa investigação, dada a
incapacidade da presidente de encontrar saídas para a crise.
Logo,
é um agravante político para a presidente. Uma investigação da Lava
Jato sobre recursos ilegais de campanha e um mandado prisão contra o
marqueteiro presidencial dificultam bastante a tarefa de governar.