Folha de S.Paulo - Aguirre Talento
Após
a prisão do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, em janeiro do ano
passado sob suspeita de corrupção na Operação Lava Jato, seu filho
Bernardo enviou um e-mail ao senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pedindo
ajuda.
A
informação consta de trecho inédito do depoimento de Bernardo à PGR
(Procuradoria Geral da República) no fim do ano passado. Delcídio e
Cerveró são próximos desde que trabalharam juntos na Petrobras, entre
2000 e 2002.
Em
novembro, Delcídio foi preso após uma gravação feita em segredo por
Bernardo, na qual o senador discutia um auxílio financeiro para Cerveró
não citá-lo em sua delação premiada. Ele foi acusado de atrapalhar as
investigações da Operação Lava Jato.
Delcídio
foi solto no último dia 19, depois que o ministro do STF (Supremo
Tribunal Federal) Teori Zavascki entendeu que não oferecia mais risco às
investigações.
Em
seu depoimento, Bernardo indica que a procura por Delcídio tinha
relação com os habeas corpus impetrados pelo advogado Edson Ribeiro para
obter a soltura de Cerveró. "Logo na sequência da prisão, Edson Ribeiro
passa a dar a Cerveró e sua família muitas esperanças de que ele logo
seria libertado", contou Bernardo.
E
completou: "Daí deriva o primeiro contato do depoente com o senador
Delcídio do Amaral, havendo o depoente enviado um e-mail para o
congressista em que se identifica como sendo o filho de Nestor Cerveró e
pedia que o congressista entrasse em contato com Edson Ribeiro".
Posteriormente,
no diálogo gravado por Bernardo, Delcídio sugeriu que iria atuar junto a
ministros do Supremo em prol da concessão do habeas corpus a Cerveró –e
chega, inclusive, a citar uma possível rota de fuga.
Além
de Delcídio, foram presos em novembro o advogado Edson Ribeiro, o chefe
de gabinete do senador, Diogo Ferreira, e o ex-presidente do BTG
Pactual André Esteves, sob suspeita de estarem envolvidos na trama.
Os
advogados de Delcídio e Ribeiro argumentam que o e-mail mostra que
Bernardo foi quem buscou influência para conseguir decisões favoráveis
ao pai e agiu como "agente provocador". A defesa de Bernardo não
comentou.