De há muito era do conhecimento que o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso tinha um relacionamento extraconjugal com a jornalista
Miriam Dutra, que trabalhava na TV Globo. A informação se espalhara
principalmente no início do caso, no segmento político, mas ficara por
aí até porque FHC é um homem reservado em relação à sua vida particular.
O fato é que a ex-amante resolveu agora conceder uma entrevista à
“Folha de S. Paulo”, que muito repercutiu, e, a partir daí, o País tomou
conhecimento de forma mais clara do tal envolvimento entre ambos. O que
não se sabia veio à tona como complemento pesado: uma empresa de
exportação e importação, a Brasif, teria bancado uma mesada, sob
contrato, que “seria fictício”, de US$ 3 mil para ajudar a manutenção de
Miriam no exterior, porque seu salário na Globo havia diminuído. Miriam
ficou grávida e o filho, Tomás, foi aceito pelo ex-presidente – o que
continua - mas se chegou à conclusão de que não era filho dele,
constatado através de dois testes de DNA. Trata-se, portanto, de um caso
que mancha a imagem de FHC, não pelo relacionamento, não pelo filho,
mas pelo pagamento feito pela Brasif S.A. É uma questão que deve ser
esclarecida e quanto mais cedo, melhor, por ele ser um político de
excelente formação cultural. O ex-presidente é um nome marcante na
oposição brasileira, integrante do PSDB. A pergunta que se faz é porque
Miriam Dutra, somente agora, resolveu se pronunciar. É certo que a sua
entrevista causou um grande impacto na mídia de maneira geral,
principalmente porque Fernando Henrique Cardoso está aposentado da
política e tem 85 anos de idade. Trata-se de um impacto contundente.