Após
um final de ano em que deixou de respirar por aparelhos, o Palácio do
Planalto sentiu o baque de ver alvejado seu principal ministro, símbolo
da esperança de renascimento do governo em 2016. A ordem é blindá-lo a
todo custo. A exposição do chefe da Casa Civil, espécie de rainha no
tabuleiro de xadrez do governo, deixa a presidente Dilma Rousseff ainda
mais vulnerável. Um tiro nele pode ser decisivo para um xeque-mate na
petista.
A
oposição já prepara um requerimento de convocação de Jaques Wagner para
depor na CPI dos Fundos de Pensão, presidida por Efraim Filho (DEM-PB),
tão logo o Congresso volte a funcionar.
É
consenso no governo a percepção de que o conteúdo vazado pode até
“constranger”, mas não “compromete” o ministro. “É dever de um
governador tentar liberar obras paradas. Não há nada ilegal em pedir
doação para campanha”, resume um aliado.
“Na Bahia, nem síndico de prédio se elege sem conversar com OAS e Odebrecht”, diz um defensor do petista.
A
menção a Wagner na delação de Cerveró, contudo, foi classificada como
preocupante por um interlocutor da presidente. O novo foco de crise
reforça a urgência de uma agenda positiva que se sobreponha ao caso. Em conversa com Dilma nesta sexta (8), o chefe da Casa Civil afirmou não conhecer Nestor Cerveró.(De Natuza Nery - Folha de S.Paulo)
