O doleiro Alberto Youssef ganhou do juiz Sérgio Moro, do Tribunal
Regional Federal do Paraná, o direito de passar o Natal em casa. O
acordo foi firmado entre Youssef e a Procuradoria-Geral da República
(PGR) como contrapartida pela delação premiada do doleiro no âmbito da
Operação Lava Jato. O acordo foi homologado na quarta-feira (16)
ministro do STF Teori Zavascki, relator dos processos envolvendo o
esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Polícia Federal, e
inclui a permissão para o delator passar o fim de ano em casa. A
homologação, feita pelo ministro do Supremo, dá validade jurídica ao
acordo, que será executado pelo juiz Moro, da primeira instância, que
decretou a prisão do doleiro. Um dos principais delatores da
investigação, Youssef já citou ao menos 195 nomes de forma direta ou
indireta em depoimentos à Polícia Federal. Entre os citados estão os
ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, além da
presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves. Algumas menções aos
políticos citados pelo doleiro não foram consideradas fortes o
suficiente para dar origem a investigações por parte da
Procuradoria-Geral da República. Em outros casos, o doleiro até negou o
envolvimento de parlamentares apontados por outros investigados, como o
senador Antonio Anastasia (PSDB). Ainda assim, o doleiro continua
colaborando com as investigações e vem prestando mais depoimentos aos
investigadores, mantidos em sigilo. No caso de Dilma, o procurador-geral
da República Rodrigo Janot avaliou que não caberia apurar as citações
por elas envolverem episódios antes de ela assumir o mandato
presidencial.