Da Folha de S.Paulo
Com a entrada de filho de Lula no negócio, liga de futebol americano passou a ostentar patrocinadores cobiçados
No
domingo, 3 de outubro, o Vasco da Gama Patriotas enfrentou o T-Rex no
Rio. A disputa atraiu pouco mais de 300 pessoas que pagaram R$ 10 para
assistir à partida do Torneio Touchdown, organizado por Luis Cláudio
Lula da Silva, 30 anos, filho caçula do ex-presidente Lula.
A
despeito do público escasso de um esporte que engatinha no Brasil, a
liga ostenta patrocinadores cobiçados, como a cerveja Budweiser e o
energético TNT. Os valores das cotas são sigilosos.
"O
site é amador, o público pequeno, o evento e os jogos não são
transmitidos na tevê, por isso o retorno para patrocinadores é baixo",
avalia o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi.
"Mas
o mercado de futebol americano pode ser o futuro e a NFL, liga
norte-americana, é uma das mais valiosas do mundo, chegando a faturar
US$ 50 milhões só com ingresso da final", pondera.
São
com números como esses que Luis Cláudio justifica sua entrada no
torneio, que viu a prosperidade chegar com ele, em 2011. A quantidade de
times saltou de 7 em 2010 para 20 em 2014 e hoje está na marca dos 16.
Duas
temporadas –de 2012 e 2013– foram televisionadas. Os clubes passaram a
receber uma ajuda de custo anual de R$ 20 mil e dinheiro para confecção
de uniformes.
No
e-mail em que comunicou a fãs da modalidade a sociedade com Luis
Cláudio, o criador do Touchdouwn André Adler, morto em 2012, disse que
ele vinha para "elevar o potencial de captação".
Na
mensagem também comemorou o fruto da parceria, a final da temporada de
2011 no estádio do Ibirapuera, em São Paulo. Na plateia do jogo estava
Lula. Em entrevistas, o petista disse que, da mesma forma que o Brasil
trabalhou para que o futebol brasileiro desse certo nos EUA, acreditava
que o americano poderia vingar no Brasil.
Menos
de dois anos depois o campeonato contava com sete patrocinadores. Além
dos atuais TNT e Budweiser, investiam no Touchdown Tigre, Sustenta
Energia, do grupo JHSF, Qualicorp e GOL.
Outra
patrocinadora nos anos 2012 e 2013 foi a Caoa Hyundai, que segundo o
jornal "Estado de S. Paulo" contratou o escritório de lobby Marcondes
& Mautoni, investigado pela Polícia Federal e pela CPI do Carf, para
obter a extensão da desoneração fiscal por meio de uma medida
provisória que teria sido comprada por lobistas.
O
escritório M&M também teve relações com Luis Cláudio. Em 2014, a
M&M contratou a LFT Marketing Esportivo, a outra empresa do filho do
ex-presidente, por R$ 2,4 milhões. Segundo Mauro Marcondes, sócio do
escritório, um dos serviços prestados se referia a um projeto de um
ônibus que circularia pelo Brasil durante a Copa do Mundo divulgando uma
patrocinadora do mundial.
Os
planos não saíram do papel. Outro trabalho foi a assessoria a um
projeto para integrar modalidades esportivas em um centro de exposições
que está sendo planejado no interior de São Paulo. "Considerei o valor
caro, mas fiquei satisfeito com o resultado que ele me apresentou",
afirmou Marcondes.
A
realidade do Touchdown é bem diferente da vivida pela CBFA
(Confederação Brasileira de Futebol Americano), entidade oficial do
esporte que organiza desde 2012 um campeonato nacional paralelo ao do
filho de Lula. Nas suas quatro temporadas realizadas, ela nunca angariou
um patrocínio anual.
DIRETOR GERAL
É
de um escritório em um prédio comercial nos Jardins, em São Paulo, que
Luis Cláudio gerencia suas duas empresas voltadas para o ramo esportivo:
a Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que administra a liga de
futebol americano, e a LFT Marketing Esportivo, dedicada a projetos para
outras empresas.
Clientes
relatam que o espaço tem três cômodos, poucos funcionários e o irmão
Fábio Luis, o Lulinha, entre os vizinhos. O apelido é o mesmo que Luis
Cláudio carrega nos gramados, apesar de rechaçá-lo.
Nos
documentos da Touchdown, a empresa criada para gerenciar o torneio,
Luis Cláudio aparece como "diretor geral". Segundo donos dos times que
participam da competição, é ele o responsável pelas principais
atividades, como definição de locais onde acontecerão as partidas e
prospecção de verbas. O valor captado não é partilhado com os times.
"Não
sabemos quanto Luis Cláudio capta, mas parte disso é direcionado para
nós", conta o presidente da equipe do Flamengo no torneio, Rogério
Pimentel.
Formado
em educação física, Luis Cláudio passou pelos principais clubes de
futebol de São Paulo trabalhando como auxiliar de preparadores físicos.
O
São Paulo foi o primeiro a abrir as portas para o filho do
ex-presidente da República, que trabalhou ali por cerca de três meses.
Luis Cláudio também atuou no Palmeiras quando Vanderlei Luxemburgo era
técnico do time, em 2008. Em 2009, quando ingressou no Corinthians,
ganhou mais visibilidade na imprensa com ajuda do clube.