O governo demitiu o delegado de Polícia Federal Protógenes Queiroz
que, em julho de 2008, comandou a célebre Operação Satiagraha e prendeu
duas vezes em apenas dois dias o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity
- a investigação acabou anulada. Por meio da portaria 1704, da última
terça-feira (13) o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo excluiu
Protógenes dos quadros da PF por transgressões disciplinares. Ele foi
alvo de uma ação criminal na Justiça Federal em São Paulo e acabou
condenado a dois anos e seis meses de prisão por quebra de sigilo
funcional ao promover o vazamento de dados do inquérito. A Justiça
também decretou a demissão de Protógenes. Em setembro, o Supremo
Tribunal Federal (STF) confirmou a sentença. O caso chegou ao Supremo
porque, em 2010, o delegado elegeu-se deputado federal (PCdo B/SP). A
Corte máxima detém competência legal para processar parlamentares.
Protógenes não foi reeleito. A Satiagraha foi deflagrada na manhã de 8
de julho de 2008 e sacudiu o País. Sob comando de Protógenes a PF
prendeu Dantas, no Rio, além do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta
(1997/2000) por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção,
lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de
quadrilha. Outro alvo da missão espetacular foi o investidor Naji
Nahas. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a conduta do
delegado e concluiu que ele fez uso de grampos ilegais e mobilizou um
grande efetivo de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) -
que trabalham para a Presidência da República e não para a PF. A
Satiagraha acabou anulada em 2011 pelo Superior Tribunal de Justiça
(STJ). Na ocasião, o ministro do STJ Jorge Mussi, ao dar o voto
decisivo, resumiu o problema de forma cristalina: "Não é possível que
esse arremedo de prova, colhido de forma impalpável, possa levar a uma
condenação. Essa volúpia desenfreada pela produção de provas acaba por
ferir de morte a Constituição. É preciso que se dê um basta, colocando
freios nisso antes que seja tarde. Coitado do país em que seus filhos
vierem a ser condenados com provas colhidas na ilegalidade". Por meio da
Satiagraha, Protógenes fez fama como o delegado que combatia o mal da
corrupção. Em seu blog ele não fez menção à demissão dos quadros da
Polícia Federal. Em post da última segunda-feira (12) o agora
ex-delegado destacou participação 'com o governador Geraldo Alckmin, sua
esposa Lu Alckmin e a Prefeita da cidade de Cruzeiro Ana Karin da missa
solene de Nossa Senhora Aparecida'. "Sábias foram às palavras de Dom
Darci. Que bênção seria se os impostos que pagamos nesse País fossem
revestidos em melhorias para o nosso povo. O Brasil também seria um
paraíso se seguisse a filosofia do Santuário nacional. Pode ter crise
econômica, crise moral, mas na fé não tem crise", escreveu Protógenes.