O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), desmentiu, hoje, que esteja negociando um acordo com o
governo para que seja poupado no Conselho de Ética da Casa e, em
contrapartida, barre a eventual abertura de um processo de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff. Ele também negou haver qualquer
articulação com a oposição, que o tem apoiado em troca de dar seguimento
ao impeachment.
Nos últimos dias, com o agravamento das denúncias contra ele, Cunha
tem ensaiado uma aproximação com o governo para discutir a possibilidade
de ter o seu mandato poupado no processo que responderá no colegiado
por suposta quebra de decoro parlamentar. Até então, a estratégia do
peemedebista era, respaldado pela oposição, pressionar o governo com a
abertura de um processo de impeachment.
“Acho muito engraçado que vocês [jornalistas] pegam as versões e
publicam as versões, apesar de a gente desmentir, com destaque, com
manchete, como se fosse fato. A mim só cabe desmentir. (...) Não fiz
acordo nem com o governo nem com a oposição”, disse.
Cunha reiterou que tem exercido seu papel institucional, mas com
“independência”, “Tenho exercido meu papel institucional. Sempre disse
que não ia agir nem como governo nem como oposição. Com independência”,
declarou.
Sobre o impeachment, o presidente da Câmara negou haver qualquer tipo
de conversa a esse respeito com o governo. “Neste papel do impeachment
eu exerço o papel de juiz. Alguém conversa com juiz sobre a sentença que
ele vai dar? Não existe isso”, afirmou.
Segundo o Blog do Camarotti, nos bastidores, o peemedebista tem
reclamado da velocidade do ritmo das investigações contra ele pela
Procuradoria Geral da República. O governo, entretanto, tem deixado
claro a ele que não tem como interferir no trabalho do procurador-geral,
Rodrigo Janot.
Cunha informou que conversou com ministros, entre eles Jaques Wagner
(Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social). “Conversei com Jaques
Wagner uma vez na semana passada e outra na nesta semana. Ele não propôs
acordo nenhum. Eu conversar com ministro significa que tem que ter
proposta de acordo? Acho isso tão ridículo", disse.
"Semana passada, eu tomei café com o Edinho. Qual o problema? Não
consigo entender. Eu ter um encontro com alguém significa que tem que
ter acordo? Tenho que dialogar com todo mundo. É o meu papel”, justifico
Cunha.