O Globo
O deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), da ala independente do seu
partido, faz parte da minoria que defende abertamente o afastamento de
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara.
O GLOBO: O senhor colocará seu nome para a sucessão de Eduardo Cunha caso ele seja afastado da presidência da Câmara?
JARBAS VASCONCELOS: Esse debate agora é inoportuno. A Câmara passa
por um grave momento, comandada por Cunha, e a gente tem que se ver
livre disso. Uma pessoa como ele não pode presidir a Câmara e muito
menos comandar o impeachment. Mas, discutir agora quem vai sucedê-lo é
um desserviço, talvez até o fortaleça. O cinismo, a irresponsabilidade e
o tamanho da mentira são tão grandes que não dá para ele se sustentar
mais à frente da Câmara.
O senhor defende a saída dele do cargo por causa das denúncias sobre contas secretas na Suíça?
Também por outros motivos. Ele conduz a Câmara de forma arbitrária,
mentirosa e precária. O problema dele não é só corrupção comprovada ou
malversação de dinheiro público.
Será possível afastá-lo da presidência da Câmara com o apoio que ele tem da oposição e de parte significativa da base?
O PSOL agiu de forma racional e objetiva quando decidiu fazer a
representação no Conselho de Ética. Vou procurar o PSOL para subscrever o
requerimento. Mas o movimento de contestação tem que aumentar, é muito
pequeno ainda. Espero que se avolume na próxima semana.
Cunha é fundamental para um processo de impeachment contra Dilma, como diz a oposição?
Ele não é fundamental, ele só atrapalha. Impeachment vem mais cedo ou
mais tarde. Se a Dilma não renunciar, a situação do país ainda vai se
agravar e chegar ao fundo do poço. Se ela não renunciar, não escapa de
impeachment. Ou sai pela renúncia, ou pelo impeachment. E Cunha tem que
sair antes dela.
Como vê o fato de a oposição não se posicionar sobre a situação de Cunha?
É ruim essa demora em se posicionar, compromete a imagem. Seria bom
superar logo essa fase. São pessoas corretas que não estão interpretando
corretamente o momento.
Boa parte da base tampouco se pronunciou...
Muitos dizem que é porque ele traz independência para a Câmara, mas
não concordo com isso. Ele faz a vontade dele. No fundo, ele faz o que
ele quer. Longe de trabalhar pela independência da Câmara, ele faz o que
interessa à vontade dele.