A probabilidade de a presidente Dilma Rousseff sofrer um impeachment
subiu para 50%, segundo a consultoria política Arko Advice. "Os
acontecimentos da semana passada fortaleceram o movimento em favor do
impeachment", escreveram os analistas da consultoria em relatório
enviado a clientes. Até a semana passada, a Arko Advice atribuía uma
probabilidade 45% para o impeachment da presidente. Entre as razões
citadas pela consultoria para o aumento das chances de impeachment,
estão a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que rejeitou por
unanimidade as contas do governo de 2014, e também o julgamento do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que votou pela abertura de
investigação das contas da campanha eleitoral da chapa Dilma Rousseff e
Michel Temer em 2014. "A rejeição das contas de 2014 pelo TCU expõe
deputados e senadores a uma posição difícil: destruir de vez a Lei de
Responsabilidade Fiscal ou rejeitar as contas de Dilma, dilema de um
Congresso enfraquecido e sem liderança", afirmaram os analistas Murillo
de Aragão, Cristiano Noronha, Carlos Bellini, José Negreiros e Marcos
Queiroz, que assinam o relatório da Arko Advice. De acordo com pesquisa
da consultoria na Câmara dos Deputados, 51 deputados de 100 ouvidos no
levantamento consideram que o debate do impeachment é provável ou muito
provável nos próximos meses. "Nossas fontes informam que existem entre
240 e 290 deputados a favor da abertura do processo", dizem os analistas
da Arko Advice. "O bastante para aprovar sua admissibilidade, mas
insuficiente para autorizar a abertura do processo." Os analistas da
consultoria ressaltam que o aumento da possibilidade de o mandato de
Dilma ser interrompido não significa que o governo tenha perdido
condições de resistir e recuperar alguns pontos. "No entanto, os sinais
captados no Planalto e no Congresso indicam que a qualidade da
resistência é ruim", escreveram os analistas da consultoria. "Por mais
que o País tenha um compromisso com a institucionalidade e não esteja
disposto a promover um impeachment 'à paraguaia', o risco de sua
ocorrência é real. Dilma deverá conviver por algum tempo com o
enfrentamento da questão."