Dessa forma,
calcula um aliado, evita a ruptura com o governo antes da hora. Não
espanta correligionários contrários a um voo solo e semeia a dúvida no
PT sobre a conveniência de tratá-lo, desde já, como adversário.
"Minha estratégia é o tempo", repete o governador.
Eduardo
Campos passou o primeiro trimestre "desfilando em carro alegórico".
Apontou defeitos no governo e convenceu até mesmo os mais incrédulos
sobre seu desejo de se lançar à Presidência.
O movimento
acabou atraindo reações, o que levou o governador a optar por um recuo
tático e a preferir um figurino mais moderado.
Segundo a Folha
apurou, buscará manter cautela até o dia 4 de outubro, limite para
mudanças de partido por políticos interessados em concorrer no ano que
vem.
O Rio de
Janeiro é dado como exemplo. Lá, se o PT decidir apoiar o candidato do
PMDB, Eduardo Campos buscará o petista Lindbergh Farias para lançá-lo ao
posto pelas mãos do PSB. Se isso não ocorrer, tentará um palanque pelo
PMDB.
Assim define um socialista: "Eduardo tem sangue 'O' positivo", pode receber transfusão de qualquer lugar.
Outubro marca
o fim do prazo para a temporada dos ataques especulativos. Até lá,
estrategistas do governador esperam que ele pontue cerca de 10% nas
sondagens eleitorais. Em pesquisa feita há um mês por Diego Brandy, seu
guru na área, Campos teria oscilado de 4% a 7% em quatro Estados: São
Paulo, Rio, Minas e Bahia.
Em julho, o
PSB fará uma reunião da sua Executiva Nacional. Campos, também
presidente do partido, lembrará a todos o processo de definição da
legenda em outras corridas para o Planalto. Em todas, o apoio só foi
fechado no fim do primeiro trimestre do ano eleitoral. Ou seja: ele só
se lançará oficialmente em março do ano que vem.
O pessebista
tem esperanças de construir uma candidatura com partidos mais à
esquerda. Mas no seu entorno há também defensores de ter o DEM numa
aliança.
A Folha apurou que o objetivo central do PSB para tentar chegar ao segundo turno em 2014 é ter ao menos cinco minutos de tempo de TV.
Campos tem
mantido ativa sua agenda de contatos. Ontem, esteve com Marina Silva.
Assinou uma ficha de apoio à criação do partido Rede. Convém a ele
assegurar o maior número de concorrentes no ano que vem.
Também
almoçou com Gilberto Kassab, do PSD. Ambos combinaram ser aliados em
Pernambuco, embora em lados opostos no plano nacional -Kassab deve dar
seu tempo de TV para Dilma.