quinta-feira, 19 de abril de 2018

Para acomodar Lídice, Rui pode oferecer suplência de Wagner



Para acomodar Lídice, Rui pode oferecer suplência de Wagner
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Tentando resolver a complicada equação que se tornou acomodar a senadora Lídice da Mata (PSB) diante da iminente possibilidade de sua retirada da chapa majoritária, o governador Rui Costa (PT) tem, entre as cartas na manga, a suplência do pré-candidato ao Senado Jaques Wagner (PT) para oferecer. Segundo uma fonte ouvida pelo Bahia Notícias que acompanha de perto toda a situação envolvendo a senadora, este cenário tem sido ventilado nos bastidores. Com isso, caso Wagner fosse eleito, poderia passar um tempo na Câmara Alta, em Brasília, mas, depois, assumir uma secretaria no governo Rui Costa, abrindo o espaço para Lídice voltar ao Senado. A articulação seria possível porque o deputado federal Ronaldo Carletto (PP), a quem a suplência foi prometida pelo vice-governador João Leão para mantê-lo no PP, tem assegurado que vai mesmo concorrer à reeleição e não será suplente. No entanto, outras possibilidades de saída honrosa para a senadora também são especuladas nos bastidores. Uma das esperanças da socialista é de que Jaques Wagner seja candidato do PT à Presidência e, com isso, deixe a vaga na chapa para ela. No entanto, até o momento, a possibilidade é considerada remota. Como a eleição para o Planalto é considerada mais difícil, Wagner quer apostar naquilo que deve ser mais fácil: a sua eleição para o Senado. Como ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas e a tradição na Bahia é o governador eleito fazer a chapa de senadores também, as condições ficam mais favoráveis para Wagner, já que, com a desistência de ACM Neto de se candidatar, o pleito é considerado mais fácil de se vencer para Rui Costa. Além disso, com a Justiça em sua cola, seria melhor para o ex-governador garantir foro privilegiado. Outro cenário apontado é Rui oferecer apoio para Lídice em eventual candidatura dela para a prefeitura de Salvador em 2020. O porém dessa proposta é que dois anos são uma eternidade na política e, daqui para lá, muita coisa pode acontecer. O grau de incerteza, então, é considerável. Rui também poderia propor a Lídice assumir uma secretaria em um possível segundo governo. Mas, dentro do PSB, ela tem tensionado ao máximo por disputar ao Senado. Aliás, não só ela, como o secretário-geral do partido, Domingos Leonelli, e o recém-nomeado secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo, Rodrigo Hita. Sem falar, claro, na pressão da Executiva nacional da sigla. No entanto, entre os deputados estaduais da legenda, a batalha é considerada quase perdida. Agora, eles combatem o bom combate e o que podem fazer é defender, até quando for possível, a participação de Lídice no pleito. Mas o clima é de resignação. Entretanto, na bancada estadual, a possibilidade de uma candidatura avulsa é descartada. O Bahia Notícias ouviu nesta quarta mais um parlamentar socialista, que reforçou a rejeição que a ideia tem entre os estaduais. Eles têm receio de, com o voo solo de Lídice, ficar de fora do chapão para a eleição proporcional e, assim, dificultar as suas reeleições. No grupo, fala-se mesmo é que, se a senadora resolver ceder e preferir continuar com mandato, deve ser candidata a deputada federal. Há quem também sugira que ela dispute uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Mas aí a queda de patente seria alta demais para alguém com o histórico da senadora.