Folha de S.Paulo – Bruno Boghossian
O
Palácio do Planalto começou a destravar indicações dessas siglas que
estavam represadas devido à demora no processo de análise dos nomes
escolhidos para esses postos. O atraso nas nomeações provocava mal-estar
entre o governo e esses partidos, especialmente depois que eles
ajudaram a barrar a primeira denúncia contra o presidente, em agosto.
Líderes
dessas siglas —que integram o chamado centrão— levaram ao Planalto, nas
últimas semanas, ameaças de deserção em suas bancadas na votação que
deve ocorrer na próxima semana. Para evitar riscos e conter a rebelião, o
governo prometeu liberar a maior parte dos cargos até lá.
Algumas
nomeações já foram publicadas em portarias internas de cada
instituição. Outras devem ser encaminhadas nos próximos dias. Deputados
serão contemplados com postos regionais em órgãos como Banco do Nordeste
e Ibama, entre outros.
Os
caciques das siglas do centrão procuraram o ministro Eliseu Padilha
(Casa Civil) para traçar o mapa de nomeações travadas e obtiveram do
auxiliar de Temer a promessa de liberação.
O
Planalto conseguiu, por exemplo, aplacar a insatisfação de deputados do
PP da Bahia que reclamavam da demora na nomeação de seus indicados.
Três líderes partidários disseram à Folha,
em caráter reservado, que o movimento do governo saciou os deputados e
reduziu o risco para Temer na votação da segunda denúncia. Eles
consideram que as deserções em suas bancadas devem ser pontuais.
Em agosto, a Câmara barrou a denúncia por corrupção passiva contra Temer por 263 votos a 227.