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Folha de S.Paulo – Daniel Carvalho
O presidente Michel Temer inicia a semana em que a denúncia
ele será votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) com uma
nova crise com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Neste domingo (15), Maia reagiu à declaração de Eduardo Carnelós, advogado de Temer, que chamou
"criminoso vazamento" a divulgação dos vídeos da delação do operador
financeiro Lúcio Funaro, que tem o presidente como um dos alvos.
Como os vídeos, revelados pela Folha
na sexta (13), foram disponibilizados pelo site da Câmara, Maia tomou
para si a crítica e, em entrevista à reportagem, chamou o advogado de
"incompetente e irresponsável" e disse que ele será processado por
servidores da Câmara.
Ao rebater Carnelós, mandou um recado direto para Temer: "Daqui para frente, vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a sessão [da denúncia]".
O
parecer contrário ao seguimento da denúncia da Procuradoria-Geral da
República contra o presidente deve ser votado nesta quarta (18) na CCJ,
para então ser levado ao plenário.
SIGILO
No sábado (14), após a Folha
revelar o teor dos vídeos, Carnelós divulgou nota afirmando ser
"evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende
insistir na criação de grave crise política no país".
As
gravações também foram disponibilizadas no site da Câmara e, segundo
Maia, o material, enviado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), não está
sob sigilo.
A
assessoria do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, no
entanto, disse que "tudo que se refere à colaboração" está sob segredo.
Maia
divulgou uma certidão em que consta que os arquivos digitais anexados à
denúncia "foram integralmente reproduzidos nos dispositivos entregues
às defesas" de Temer e dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e
Eliseu Padilha (Casa Civil), todos alvos do processo.
Em
nota, a presidência da Câmara disse que, "como é possível depreender da
leitura das decisões que encaminharam a denúncia e as cópias dos
inquéritos à Casa, não há determinação de restrição de acesso a qualquer
parte da documentação".
"Essa
informação foi confirmada pelo próprio presidente da Câmara dos
Deputados em reunião com Fachin, e com a ministra Cármen Lúcia, no STF",
diz trecho.
A
Câmara informou que, em 27 de setembro, as defesas de Temer e dos
ministros receberam cópia da documentação encaminhada pelo STF.
CRÍTICAS
À Folha Maia disse que era "uma pena o presidente do Brasil constituir esse advogado na sua defesa".
"Incompetência
é pouco pra justificar as agressões do advogado. A defesa do presidente
recebeu todos os documentos. Nunca imaginei ser agredido pelo advogado
do presidente Temer. Depois de tudo que eu fiz, essa agressão não faz
sentido. Daqui para frente vou, exclusivamente, cumprir meu papel
institucional, presidir a sessão", afirmou. "Ser tratado como criminoso é
muito difícil."
