![]() |
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Ao contrário da prisão de Geddel Vieira Lima, que ensejou
uma crise dentro do PMDB baiano, a operação de busca e apreensão
deflagrada nesta segunda-feira (16) pela Polícia Federal contra o
deputado Lúcio Vieira Lima (BA) não deve ser capaz de provocar o mesmo
terremoto na sigla. A avaliação é de peemedebistas ouvidos pelo Bahia
Notícias. As primeiras conjecturas feitas a partir do caso apontam que
Lúcio não tem a mesma força política do irmão, o que minora o poder
destrutivo da operação para o partido na Bahia. Segundo um integrante da
sigla ouvido pela reportagem, desde a segunda prisão de Geddel, Lúcio
estava mais distante das funções como presidente do PMDB em Salvador,
além de ter diminuído a influência no diretório estadual, com a assunção
do deputado estadual Pedro Tavares à presidência, provocada pelo
afastamento do ex-ministro da Secretaria de Governo da função. “Não
temos visto nenhuma interferência de Lúcio. Ele, apesar de ser deputado
pelo PMDB, anda totalmente afastado das tarefas do partido em Salvador.
Não está tendo o mesmo impacto exatamente por isso”, relatou. Apesar
desse distanciamento, outro peemedebista avalia que ainda é cedo para
dizer se o partido pressionará Lúcio a se afastar do cargo, como ocorreu
com Geddel. Na sigla, o discurso está afinado. Os deputados estaduais
continuarão pregando que a agremiação não pode ser personalizada na
figura dos Vieira Lima e eles devem ser penalizados por eventuais crimes
cometidos. A ordem também é reforçar a ideia de que andam sob nova
direção, em uma estratégia de desvincular ainda mais a imagem dos irmãos
da do PMDB, intensificando também o discurso de que a sigla passa por
renovação interna. Sobre uma possível delação de Geddel, que estaria
ficando ainda mais provável com o agravamento da situação do irmão, os
correligionários baianos demonstram não estar muito preocupados.
Acreditam que a apreensão deve tomar conta do “povo de Brasília”.
Entretanto, a questão eleitoral é algo que aflige os parlamentares. A
possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir as coligações
partidárias já em 2018, de forma contrária ao aprovado na reforma
política, já faz os deputados iniciarem as contas. A avaliação é que
isto pode dificultar as pretensões do partido de lançar um grande número
de candidatos para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia
Legislativa da Bahia (AL-BA). Por outro lado, os baianos se veem às
voltas com outro problema. Apesar de preso e encrencado na Lava Jato,
Geddel era a grande liderança responsável por arregimentar votos e
candidaturas para o PMDB, dando musculatura à agremiação. Sem ele, a
avaliação é de que a sigla tem um vácuo, precisando construir lideranças
capazes de fornecer a mesma capilaridade. “Ele era um liderança muito
forte. O PMDB tinha um número bom de candidatos, com coligação. Mas, se
se esforçasse, poderia até sair sozinho. Agora é preciso reforçar o
partido, precisa de lideranças de porte estadual”, comentou um
peemedebista.
