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O
advogado da ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro da Justiça José
Eduardo Cardozo, disse, em nota, hoje, que o processo de impeachment
"foi nulo" e que a saída da ex-presidente do mandato foi motivada por
"decisões imorais e ilegais" do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
O impeachment foi aprovado no Senado em agosto de 2016, depois de
passar também pela Câmara, na época presidida por Cunha. Os
parlamentares entenderam que Dilma cometeu crime de responsabilidade ao
editar três decretos de créditos suplementares sem autorização do
Legislativo e ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais”, que
consistiram no atraso de pagamentos ao Banco do Brasil por subsídios
agrícolas referentes ao Plano Safra.
Na nota, o advogado da ex-presidente afirmou que a delação de Lúcio
Funaro, apontado como operador financeiro do PMDB, demonstrou que Cunha
comprou votos para deputados votarem a favor do impeachment.
Em depoimento ao Ministério Público, Funaro disse que em 2016,
repassou R$ 1 milhão a Cunha para que o então presidente da Câmara
pudesse "comprar" votos pela saída de Dilma.
Ainda de acordo com Eduardo Cardozo, a defesa da ex-presidente vai
solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (17) que
adicione o depoimento de Funaro em um mandado de segurança que pede a
anulação do impeachment.
"Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de
direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a
respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por
notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha
praticado crimes de responsabilidade", afirmou o advogado da
ex-presidente.
Procurada pela TV Globo, a defesa de Cunha afirmou que o ex-deputado
negou com veemência o conteúdo da delação de Funaro. Segundo Cunha, o
delator não apresentou qualquer prova contra ele.
