O candidato do PSDB à Presidência da
República, Aécio Neves, ironizou nesta sexta-feira o ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, que afirmou na quinta que a delação do
doleiro Alberto Youssef – alvo da Operação Lava Jato – não preocupa o
governo. “Ao contrário do que disse o ministro da Justiça, tem muito
petista sem dormir com a delação premiada”, afirmou, em entrevista à
rádio BandNews.
O tucano
ainda negou que tenha faltado firmeza em sua atuação como parlamentar de
oposição ao governo Dilma Rousseff. Segundo Aécio, seu estilo de fazer
política não envolve ataques pessoais, o quer não quer dizer que não
tenha sido contundente na oposição. “Diferente do PT, nós não fizemos
oposição ao Brasil”, provocou. Ao falar sobre o atual cenário eleitoral,
Aécio disse que não quer ser presidente para “colocar um retrato na
parede” e negou que haja desânimo com o resultado das últimas pesquisas.
“Vou caminhar até o último dia dizendo que temos o melhor projeto para o
Brasil”, afirmou.
Aécio
disse que a candidatura de Marina Silva é “improvisada” e que não vê na
adversária condições de resolver os problemas do país. Sem fazer crítica
direta a Marina, Aécio lembrou que ela só se tornou candidata após o
acidente que matou Eduardo Campos. “A outra candidata, não vejo como e
com quem vai enfrentar os desafios que teremos pela frente”, afirmou
Aécio. O candidato voltou a alfinetar Marina lembrando que, apesar do
discurso de que escolherá os melhores para governar, administrou o
Ministério do Meio Ambiente ao lado de petistas. “As pessoas do nosso
primeiro time não estão disponíveis”, afirmou.
Reforma política
Aécio afirmou ser o único candidato que
tem propostas claras para uma reforma política. O tucano disse que suas
adversárias se omitem em temas como a necessidade de redução de partidos
políticos no Brasil e defendeu o retorno da cláusula de barreira, que
limita o acesso das legendas sem representatividade a recursos e tempo
de TV.
ONU
Aécio classificou também o discurso dda
presidente Dilma Rousseff na abertura da Assembleia Geral da Organização
das Nações Unidas (ONU), como “um dos mais tristes episódios da
política externa brasileira”. Segundo o tucano, a adversária e candidata
à reeleição utilizou a tribuna da ONU para fazer discurso eleitoral, “o
que lhe gerou incredulidade aos que assistiam. Aécio considerou ainda
“uma mancha na política externa” do país o fato de Dilma ter pregado o
diálogo com o Estado Islâmico, ao contrário do bloco de países liderados
pelos Estados Unidos. “Ela prega o diálogo com o Estado Islâmico que
está decapitando pessoas, enquanto é preciso uma ação forte”, afirmou.
Ainda
sobre relações externas, Aécio reafirmou que, se eleito, mudará as
relações com países vizinhos que “fazem vistas grossas” ao tráfico de
drogas, permitindo, por exemplo, o cultivo de folha de coca. O candidato
citou a Bolívia, como exemplo de país que é conivente com o tráfico e
ainda recebe ajuda do governo brasileiro para o financiamento de obras.
Saúde
Indagado se iria rever o Mais Médicos, que
tem a aprovação da população, Aécio afirmou que uma revisão do programa
passaria pela renegociação com a Organização Pan-Americana de Saúde
(OPAS) para o fim da discriminação dos cubanos. Essa discriminação,
segundo ele, ocorre pelo fato de grande parte dos salários dos médicos
cubanos ser repassada ao governo daquele país.