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Em
palestra na qual citou algumas realizações de sua gestão e fez várias
críticas aos governos que o sucederam, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso disse que a Petrobras “virou bagunça”, apontou “acúmulo de
erros na questão energética”. Disse que o Bolsa-Família não tem
oferecido porta de saída suficiente, com oportunidades para os
beneficiados.
“Há um pouco
de excesso de transferência de renda sem contrapartida”, afirmou
Fernando Henrique na Associação Comercial, onde laçou o livro O
Improvável Presidente do Brasil. O tucano reagiu à análise de que
privilegiou a economia, com a estabilidade da moeda, em detrimento das
políticas sociais.
“Criar o
Bolsa-Escola, que foi o germe dessas bolsas, não foi fácil. Hoje é
glória nacional, glória petista. A oposição foi enorme. As bolsas
tiveram êxito, o subsídio estava condicionado a frequência na escola e
tinha porta de saída. Agora pouco a pouco não tem porta de saída, estão
aumentando a idade da pessoa que pode ter bolsa”, disse o ex-presidente
na palestra.
Em
entrevista, afirmou que o Bolsa-Família “é política fundamental de
Estado e tem que ser mantido, melhorar mais, incentivar mais, não
diminuir, e dar mais estímulos para as pessoas se integrarem na vida
comum”.
VIROU BAGUNÇA
Diante da
plateia formada principalmente por empresários, Fernando Henrique entrou
em clima de campanha ao responder a uma pergunta sobre o futuro do
País: “A situação não é desesperadora, mas o caminho está cheio de
tropeços e a hora de corrigir é agora nas eleições.”
Na mesma
resposta, o ex-presidente atacou a política do governo de impedir o
aumento do combustível para controlar a inflação. “Houve muito descuido
em coisas fundamentais como a energia. Com política para combater
erradamente a inflação, tabelando preços conseguimos estragar a
Petrobras e o etanol”, criticou, referindo-se ao fato de que, sem
aumento da gasolina e do diesel, o álcool combustível deixa de ser
competitivo.
O tucano
voltou a criticar o governo e o PT por tentarem impedir a CPI da
Petrobras e ironizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu
sucessor. “O presidente Lula propunha tanta CPI no meu tempo, por que
agora está contra? Se o governo está tão preocupado em impedir, a
suspeita de que tem alguma coisa errada aumenta”, disse, em entrevista.
Na palestra, atacou a influência dos partidos na estatal. “Essas
loucuras todas na Petrobras levam a pensar no grande controle que os
partidos têm. Dá no que dá. No meu governo, nós arejamos, transformamos
em verdadeira empresa, não repartição pública. Cortamos a (exigência) da
lei 8666 (das licitações). Agora virou bagunça”, disse.
REFINARIA
Mais uma vez,
o ex-presidente defendeu a presidente Dilma Rousseff no caso da compra,
pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A um
entrevistador do programa de TV humorístico Pânico que estava fantasiado
de Dilma, Fernando Henrique disse: “Você é vítima, tem que explicar que
não é responsável. Fala a verdade.”
Fernando
Henrique afirmou que “muito do que foi feito (em seu governo) foi
continuado pelo presidente até 2007 ou 2008, mas depois não”. “Muito do
que nós construímos está sendo desfeito, não é que tenham a intenção,
mas não têm atenção necessária para evitar a corrosão”, criticou.
