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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu um verdadeiro inferno
quando, no meio do seu primeiro governo, estourou o escândalo do
mensalão. O seu homem de confiança, o então ministro José Dirceu, e o
presidente nacional do PT no momento, José Genoino, eram os principais
alvos do delator Roberto Jefferson. Os dois pilares que o antigo chefe
do Executivo possuía tinham ruído, e o cacique petista se via
questionado por conta de sua declaração de que não sabia de nada. E, até
hoje, ele mantém essa posição. Algo difícil de conceber.
Agora, na reta final do processo que deve levar à cadeia alguns de
seus envolvidos, o ex-presidente afirmou que tem coisas a dizer sobre o
mensalão. Mas o que será que o homem que não sabia de nada pode trazer
de novo para um debate tão desgastante? Será que ele soube de algo que
ainda não fora dito? Difícil projetar.
No entanto, quem conhece Lula sabe que ele tentará criar algum fato
político para desviar os olhares da Nação. Afinal, o próximo ano é
eleitoral e, apesar da presidente Dilma Rousseff esboçar uma recuperação
na avaliação popular do seu governo, ainda anda bem longe da zona de
conforto eleitoral. O pleito que se avizinha tem tudo para ser um dos
mais duros e com nuances completamente diferentes dos anteriores, vide
os protestos de junho e julho.
O ex-presidente sabe que os efeitos das prisões – já decretadas pelo
Supremo Tribunal Federal (STF) – podem ultrapassar o restrito debate
político atual. Há quem ateste que imagens da prisão de figuras como
José Dirceu podem ser utilizadas durante a campanha eleitoral como
exemplo do “modo petista” de administrar.
