sexta-feira, 22 de abril de 2016

O recuo de Dilma


Gabriel Garcia
De Brasília
Disposta inicialmente a jogar álcool na fogueira do impeachment, em discurso que faria na Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, a presidente Dilma Rousseff recuou e contemporizou a ladainha de golpe institucional, orquestrado pelo vice-presidente Michel Temer e pelos partidos de oposição.
Na opinião do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o motivo do recuo foi a advertência do Supremo Tribunal Federal (STF), que rechaçou o discurso petista. “O puxão de orelha do Supremo, que é guardião da Constituição, foi importante para que Dilma recuasse dessa ideia fixa de falar de golpe na ONU.  Esperamos que a partir de agora a presidente seja sensata e adote uma postura responsável de acordo com o cargo que ocupa”, afirmou Bueno.
A presidente iria utilizar o pronunciamento no evento de assinatura do acordo de Paris sobre mudanças climáticas para repetir a mesma estratégia de “vitimização” usada no Brasil.
O chefe da missão do Brasil na Organização das Nações Unidas, Antônio Patriota, se recusou a credenciar os deputados José Carlos Aleluia (DEM-SP) e Luiz Lauro Filho (PSB-SP) no ato de assinatura do acordo sobre mudança climática, que foram destacados como observadores da Câmara.
“Se ela falasse de golpe na ONU, submeteria o Brasil a vexame internacional”, acrescentou o líder do PPS. Os ministros do Supremo Tribunal Federal já desautorizaram a lorota de Dilma, lembrando que o impeachment ocorre de acordo com o que está previsto na Constituição.