Gabriel Garcia
De Brasília
Disposta inicialmente a jogar álcool na fogueira do impeachment, em
discurso que faria na Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, a
presidente Dilma Rousseff recuou e contemporizou a ladainha de golpe
institucional, orquestrado pelo vice-presidente Michel Temer e pelos
partidos de oposição.
Na opinião do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o motivo do recuo foi a
advertência do Supremo Tribunal Federal (STF), que rechaçou o discurso
petista. “O puxão de orelha do Supremo, que é guardião da Constituição,
foi importante para que Dilma recuasse dessa ideia fixa de falar de
golpe na ONU. Esperamos que a partir de agora a presidente seja sensata
e adote uma postura responsável de acordo com o cargo que ocupa”,
afirmou Bueno.
A presidente iria utilizar o pronunciamento no evento de assinatura
do acordo de Paris sobre mudanças climáticas para repetir a mesma
estratégia de “vitimização” usada no Brasil.
O chefe da missão do Brasil na Organização das Nações Unidas, Antônio
Patriota, se recusou a credenciar os deputados José Carlos Aleluia
(DEM-SP) e Luiz Lauro Filho (PSB-SP) no ato de assinatura do acordo
sobre mudança climática, que foram destacados como observadores da
Câmara.
“Se ela falasse de golpe na ONU, submeteria o Brasil a vexame
internacional”, acrescentou o líder do PPS. Os ministros do Supremo
Tribunal Federal já desautorizaram a lorota de Dilma, lembrando que o
impeachment ocorre de acordo com o que está previsto na Constituição.