A Procuradoria-Geral da República informou nesta quarta-feira
(20) que, após ter recebido 17.853 reclamações contra o teor da
manifestação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a
votação do impeachment, no último domingo (17), decidiu instaurar um
procedimento interno para investigar o caso.
A análise da conduta de Bolsonaro ficará sob responsabilidade do
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pois, como deputado
federal, Bolsonaro tem direito a foro privilegiado e só pode ser
investigado ou processado pelo procurador-geral no âmbito do STF
(Supremo Tribunal Federal).
A Procuradoria não informou qual o tipo de procedimento que será
instaurado no órgão, como um inquérito, por exemplo, e nem qual a
possível irregularidade ou crime que poderia ter sido cometida por
Bolsonaro.
Na votação do impeachment do último domingo, o deputado do PSC, ao
anunciar seu voto a favor do impeachment, disse que o fazia "em memória
do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra".
O militar homenageado comandou o DOI-Codi (Destacamento de Operações
Internas) de São Paulo no período de 1970 a 1974. Em 2008, tornou-se o
primeiro militar a ser reconhecido, pela Justiça, como torturador
durante a ditadura. Ustra morreu em outubro de 2015, durante tratamento
contra um câncer.