Chico Ferreira: FHC e Serra são golpistas, diz ex-1º ministro português

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

FHC e Serra são golpistas, diz ex-1º ministro português



O ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates chamou Fernando Henrique Cardoso e José Serra de "golpistas" e acusou o Judiciário brasileiro de ser cúmplice do golpe.

Em entrevista a correspondentes de vários países nesta quarta, em Lisboa, o socialista lembrou a falta de legitimidade de Michel Temer e de seu governo.
"Falar 'eu não cheguei aqui pela porta dos fundos, foi o povo que me escolheu' é algo que todo político deve poder fazer a qualquer momento. Hoje isso é uma coisa que o senhor presidente do Brasil não pode dizer. O problema do Brasil é mesmo esse: a ilegitimidade", disparou.
Sócrates diz que os golpistas brasileiros tentaram dar um aspecto de legalidade ao processo de impeachment, inclusive entrando em contato com acadêmicos de outros países.
"Os golpistas Fernando Henrique Cardoso e José Serra vieram a uma conferência aqui em Portugal para falarem para os professores de direito portugueses e explicarem o golpe. Como se nós não estivéssemos a ver o que se estava a passar", afirmou.
"O Brasil é um país de 200 milhões de habitantes. É muito difícil fazer um golpe de Estado sem que as pessoas se dêem conta. O que aconteceu no Brasil foi uma coisa extraordinária. A direita política brasileira quis convencer o mundo de que podia mudar as regras no meio do jogo: de um regime presidencialista para um regime parlamentar", comenta Sócrates.
O ex-primeiro ministro criticou ainda a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva, e diz ver que o petista também sofre perseguição política por parte do Judiciário.
"Isso se chama lawfare, é fazer a guerra com a Justiça. É fazer política com a Justiça. Já não fazem o combate através das guerras, fazem através dos juízes" resumiu.
Após mais de quatro anos desde o início das investigações e quase um ano preso, as autoridades portuguesas ainda não apresentaram uma acusação formal contra o socialista, que é investigado no âmbito da operação Marquês, uma espécie de Lava Jato portuguesa.
Segundo Sócrates, isso desrespeita a lei portuguesa e mostra que o Ministério Público foi incapaz de encontrar provas contra ele.