Chico Ferreira: 'O golpe ainda não acabou', diz Dilma em evento com petistas

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sábado, 18 de fevereiro de 2017

'O golpe ainda não acabou', diz Dilma em evento com petistas


'O golpe ainda não acabou', diz Dilma em evento com petistas
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou na noite desta sexta-feira (27) que o "golpe ainda não acabou". "O segundo golpe que esse país pode sofrer é que impeçam Lula de ser candidato (em 2018)", disse a petista durante a abertura do 2º Encontro Nacional de Mulheres Eleitas pelo PT, em Brasília. Dilma participou de uma mesa redonda sobre o papel da mulher na política. Para Dilma, há apenas duas hipóteses que fariam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não disputar as próximas eleições: uma seria não haver eleição direta e a outra seria a condenação na Justiça. "Seja por que método for, nós, mulheres, temos que nos preparar. O golpe ainda não acabou", afirmou a ex-presidente. Ela lembrou que Lula liderou as intenções de voto em todos os cenários na última pesquisa CNT/MDA. A ex-presidente disse ainda que a Operação Lava Jato é uma "operação excepcional" e, por conta disso, alguns consideram que possui "regras excepcionais", que muitas vezes vão contra a Constituição. "Usam justiça do inimigo para cima do Lula. Ao invés de ser julgado, ele é considerado inimigo, então tem que ser destruído", declarou. Lula é réu em cinco inquéritos na Justiça, três deles no âmbito da Operação Lava Jato. Dilma foi ovacionada pela plateia, formada por prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras eleitas pelo partido em 2016. Ela também fez duras críticas ao governo do presidente Michel Temer. "Temos que olhar e tentar impedir retrocessos", pediu às correligionárias. A petista, que discursou durante cerca de 45 minutos, criticou as principais reformas do governo, como a previdenciária e trabalhista, ambas em tramitação no Congresso. Ela também criticou a aprovação da Proposta de Emenda Constituição (PEC) que estabelece um limite para os gastos públicos, no ano passado. Segundo Dilma, congelar os gastos públicos por vinte anos é uma medida "eminentemente neoliberal que faz o absurdo do ponto de vista democrático, pois fere o direito fundamental do direito ao voto direto para a eleição presidencial". "Se eu tiro das pessoas o direito de decidir onde vão achar que deve ser gasto o dinheiro por cinco eleições presidenciais, eu tiro o sentido de uma eleição (...) Em uma eleição a gente escolhe aquilo que achamos que deve ser prioridade do gasto. Se, em uma tacada só, acaba-se com cinco eleições, não é só um ataque do neoliberalismo, é um ataque que leva à redução dos processos democráticos", discursou. Dilma avaliou que "a razão profunda do impeachment é enquadrar o País econômica, social e geopoliticamente". Ela considera que o seu pedido de afastamento foi uma reação dos neoliberais às políticas sociais que vinham sendo implantadas pelo governo petista nos últimos 13 anos: "O golpe tinha por objetivo desregular tudo, deixar o mercado mandar em tudo e tirar os pobres de dentro do orçamento, daí a emenda da PEC do teto de gastos." Para combater o que classificou como retrocessos do governo atual, Dilma disse que a "única grande arma é a democracia". "Nós estamos diante de um processo onde não tem como fazer acordo por cima hoje no Brasil. É necessário acordo por baixo, a eleição", continuou. Ela afirmou que o governo petista "não fez tudo", mas "mostrou que é possível fazer, mostrou um caminho" para combater a desigualdade social.